Relator da ONU pede que FMI proteja os mais pobres dos efeitos da austeridade

O Fundo Monetário Internacional (FMI) precisa fazer mais para proteger indivíduos mais vulneráveis e de baixa renda que acabam carregando o fardo das políticas de austeridade, disse nesta terça-feira (19) o relator especial da ONU para a pobreza extrema e os direitos humanos, Philip Alston.

“Agir para ajudar aqueles que não estão bem financeiramente têm até agora sido pouco mais do que uma reflexão tardia no trabalho do FMI no mundo todo. Mas se há pretensão de responder efetivamente nos anos futuros aos desafios de um mundo em que tanto a globalização quanto as democracias liberais continuam a ser atacadas, o FMI precisará de uma mentalidade diferente”, disse Alston.

Família pede ajuda nas ruas da cidade de Secunda, na província sul-africana de Mpumalanga. Foto: Jan Truter (CC, Flickr)

Família pede ajuda nas ruas da cidade de Secunda, na província sul-africana de Mpumalanga. Foto: Jan Truter (CC, Flickr)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) precisa fazer mais para proteger indivíduos mais vulneráveis e de baixa renda que acabam carregando o fardo das políticas de austeridade, disse nesta terça-feira (19) o relator especial da ONU para a pobreza extrema e os direitos humanos, Philip Alston.

“Agir para ajudar aqueles que não estão bem financeiramente têm até agora sido pouco mais do que uma reflexão tardia no trabalho do FMI no mundo todo. Mas se há pretensão de responder efetivamente nos anos futuros aos desafios de um mundo em que tanto a globalização quanto as democracias liberais continuam a ser atacadas, o FMI precisará de uma mentalidade diferente”, disse Alston.

De acordo com o relator da ONU, o FMI é o mais influente ator do palco internacional, não apenas em relação às políticas monetárias e fiscais, mas também em termos de proteção social. “No entanto, apesar da impressionante retórica de sua diretora-gerente, Christine Lagarde, sua prática ficou bem atrás do que se pregou”, disse o especialista.

“O FMI precisa se mover para além de sua obsessão com o foco da proteção social apenas para os mais pobres entre os pobres. Há evidências crescentes de que esse foco frequentemente falha em atingir os mais pobres, beneficiando aqueles que estão relativamente melhor de vida.”

Segundo o especialista, focar a proteção social apenas naqueles mais vulneráveis também erode o apoio político da classe média e dos ricos aos sistemas de bem-estar social.

“Até agora, o FMI tem sido uma organização com um grande cérebro, um ego não saudável e uma pequena consciência. Se quiser levar a proteção social a sério, mais do que se comprometer com redes mínimas de segurança, poderia mostrar ao mundo que realmente aprendeu com seus erros do passado.”

“O fundo está atualmente desenvolvendo uma estrutura estratégica para seu engajamento em gastos sociais, e Christine Lagarde levou a organização a uma direção mais progressista em relação a questões como desigualdade econômica e igualdade de gênero.”

“No entanto, se o FMI é genuíno sobre mudanças, também precisa abraçar a diversidade interna para garantir que diferentes perspectivas e suposições influenciem seu pensamento. O funcionário médio do FMI é um economista formado, do sexo masculino, do Ocidente, que estudou em universidades de elite nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Não se pode esperar que o fundo mude sem alterar a diversidade do seu pessoal.”

Segundo o relator da ONU, além da diversidade interna, o FMI tem um histórico ruim no que se refere a consultar organizações da sociedade civil nos países em que atua, bem como outras organizações internacionais com experiência relevante, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Levar em conta as vozes externas torna menos provável que os conselhos que o FMI dá aos governos acabe minando a tomada de decisões democráticas nos países em que trabalha, um problema que tem atormentado a instituição ao longo de sua história.”

“O FMI, como liderado por Lagarde, está no caminho certo, mas será uma tarefa gigantesca mudar a direção da instituição e garantir que os benefícios da globalização não se acumulem somente sobre os ricos, e que suas desvantagens não sejam sofridas inteiramente pelos assalariados de baixa renda e os vulneráveis ​”, disse Alston.