Relator da ONU critica impunidade dos crimes contra defensores dos direitos humanos no México

Após visita ao México, o relator especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Michel Forst, manifestou forte preocupação com a impunidade generalizada dos crimes contra defensores dos direitos humanos no país. Segundo ele, a situação está levando a mais violações na região.

Isidro Baldenegro López recebe Goldman Prize em 2005. Foto: The Goldman Environmental Prize

O ambientalista Isidro Baldenegro López foi morto este mês no México. Foto: The Goldman Environmental Prize

Após visita ao México, o relator especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Michel Forst, manifestou na quarta-feira (25) forte preocupação com a impunidade generalizada dos crimes contra os defensores dos direitos humanos no país. Segundo ele, a situação está levando a mais violações na região.

“A falha em investigar e sancionar os agressores sinalizou uma mensagem perigosa de que não há consequências para quem comete tais crimes. Isso cria um ambiente propício à repetição das violações”, alertou Forst.

Destacando os altos níveis de insegurança e violência que eles enfrentam no país no complexo contexto do crime organizado, da corrupção e da repressão do Estado, ele advertiu que “a impunidade se tornou tanto a causa como o efeito da insegurança geral do país para os defensores dos direitos humanos”.

“A impunidade alimenta a criminalização dos defensores, o que por sua vez aumenta o medo entre a sociedade civil em geral, minando as aspirações gerais para os direitos humanos e o Estado de direito”, frisou Forst em comunicado à imprensa emitido pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

“A melhor proteção que os defensores de direitos humanos podem ter é a Justiça garantir que os perpetradores sejam responsabilizados”, continuou.

Forst visitou o México entre os dias 16 e 24 de janeiro de 2017, viajando da Cidade do México para os estados de Chihuahua, Guerrero, Oaxaca e o estado do México. Na ocasião, encontrou-se com mais de 800 defensores de direitos humanos de 24 estados, sendo 60% mulheres.

No último dia da sua visita, o especialista entregou um relatório preliminar com uma série de recomendações para as autoridades mexicanas e outros atores, a fim de melhorar a proteção dos defensores dos direitos humanos e permitir o trabalho deles.

“Somente através da união de esforços, o México superará a grave situação em que os defensores estão realizando seu trabalho, que é fundamental para uma sociedade democrática”, concluiu.