Relator da ONU alerta para risco de morte de mais um ativista dos direitos humanos em Honduras

Relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos defensores dos direitos humanos pediu que o governo de Honduras garanta a segurança do ativista ambiental mexicano Gustavo Castro Soto, após o assassinato da líder indígena Berta Cáceres no início do mês. O Escritório de Direitos Humanos condenou o assassinato de Cáceres, e a CEPAL pediu justiça para o caso.

De acordo com fontes locais, criminosos entraram na casa do irmão de Cáceres no dia 3 de março, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista. Foto: goldmanprize.org

De acordo com fontes locais, criminosos entraram na casa do irmão de Cáceres no dia 3 de março, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista. Foto: goldmanprize.org

O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos defensores dos direitos humanos, Michel Forst, pediu nesta quinta-feira (10) ao governo de Honduras que garanta a segurança e a proteção do ativista mexicano Gustavo Castro Soto, que ficou ferido durante o assassinato da ativista indígena Berta Cáceres no início deste mês.

As autoridades hondurenhas impediram o retorno de Soto ao México, defensor do meio ambiente e da luta pela terra e fundador da organização ‘Outros Mundos’, sem dar justificativas para a ação. Foi emitido um alerta migratório de 30 dias que impediu o ativista de sair do país.

“Peço que as autoridades hondurenhas garantam que a vida de Soto não corra mais riscos no país e permitam o retorno dele ao México o mais breve possível”, disse o relator. “Já é hora de o governo de Honduras intervir de forma concreta na situação de flagrante impunidade diante do crescente número de execuções de defensores dos direitos humanos, particularmente aqueles que defendem o meio ambiente e a terra no país”, disse Forst.

Repercussão

No início de março, o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, condenou o assassinato de Cáceres em Honduras.

A ativista era coordenadora do Conselho Nacional de Organizações Populares e Indígenas de Honduras e foi vencedora do prêmio Goldman Environmental de 2015 por seu papel na luta contra projetos de impactos socioambientais negativos no país.

De acordo com fontes locais, criminosos entraram na casa do irmão de Cáceres no dia 3 de março, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista.

O porta-voz do ACNUDH disse que a polícia já iniciou uma investigação sobre o crime. “No entanto, estamos preocupados com o fato de Cáceres ter sido assassinada apesar de a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ter pedido que as autoridades hondurenhas fornecessem proteção especial à ativista, dadas as diversas ameaças que ela vinha sofrendo.”

A Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL) também pediu justiça para o caso. Em uma declaração pública, a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, condenou o crime e exigiu respeito e proteção para todos aqueles que, como Cáceres, dedicaram suas vidas para defender os direitos humanos.

Outra manifestação foi feita pela relatora especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, que também enfatizou sua condenação ao assassinato da ativista defensora da comunidade indígena lenca de Rio Branco.

“É muito provável que seu assassinato esteja vinculado a seu trabalho de defesa dos direitos humanos do povo indígena lenca”, disse Tauli-Corpuz, completando que Cáceres havia se manifestado contrariamente à construção da hidrelétrica de Agua Zarca no país.

A relatora especial também pediu segurança adicional a membros da comunidade lenca de Rio Branco e para familiares da ativista.


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