Relator da ONU alerta para aumento das violações de direitos humanos no Mali

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No Mali, um especialista das Nações Unidas descreveu um cenário de deterioração “alarmante” da segurança, dos direitos humanos e da situação humanitária no norte e leste do país.

Os comentários de Alioune Tine foram feitos após dois ataques mortíferos nos últimos dias contra forças internacionais no Mali, incluindo um homem-bomba em Gao, que deixou ao menos dois civis mortos e mais de 15 feridos.

Comboio da MINUSMA passa por rua de Meneka, nordeste do Mali. A região testemunhou uma escalada da violência e da insegurança. Foto: MINUSMA/Marco Dormino

Comboio da MINUSMA passa por rua de Meneka, nordeste do Mali. A região testemunhou uma escalada da violência e da insegurança. Foto: MINUSMA/Marco Dormino

No Mali, um especialista das Nações Unidas descreveu um cenário de deterioração “alarmante” da segurança, dos direitos humanos e da situação humanitária no norte e leste do país.

Os comentários de Alioune Tine foram feitos após dois ataques mortíferos nos últimos dias contra forças internacionais no Mali, incluindo um homem-bomba em Gao, que deixou ao menos dois civis mortos e mais de 15 feridos.

Em Menaka, leste do país, mais de 120 pessoas foram assassinadas em um período de três semanas em abril e maio, disse o oficial em comunicado, observando que extremistas violentos se aproveitaram da falta de serviços básicos “para explorar comunidades e colocá-las umas contra as outras”.

Alguns ataques foram atribuídos a grupos armados, incluindo o Movimento de Salvação de Azawad (MSA) e o Grupo de Autodefesa Touareg Imghad e Aliados (GATIA), disse o especialista da ONU.

Em meio à insegurança em curso, que se caracterizou por sequestros e assassinatos seletivos, segundo o especialista senegalês, as comunidades foram deslocadas e mais de 650 escolas foram forçadas a fechar nas regiões central e norte, afetando cerca de 200 mil crianças.

Também tem havido um número crescente de acusações de “graves violações dos direitos humanos” contra as forças armadas malianas, disse Tine, ecoando preocupações sobre operações antiterroristas “que não respeitam os padrões internacionais de direitos humanos”.

Em um apelo ao governo do Mali para levar os responsáveis ​​pelas violações à Justiça, Tine sublinhou a “presença estatal muito limitada”, acrescentando que em algumas áreas centrais não há “absolutamente nenhuma”.

O especialista independente — que visitou o país no final de junho — também elogiou o primeiro-ministro do país por reafirmar que o governo não tolerará qualquer crime contra civis.

Abordando a situação de emergência humanitária na região central do país e advertindo sobre uma piora, o especialista da ONU disse que 4,1 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar.

O número de pessoas que sofrem de desnutrição aguda grave em 2018 no país deve aumentar de 163 mil para mais de 250 mil — incluindo mais de 11 mil crianças menores de 5 anos —, acrescentou.

A desnutrição aguda moderada também é um problema massivo e crônico, com números que devem aumentar de 470 mil para 582 mil, incluindo mais de 450 mil mulheres grávidas e que amamentam.

“Esta é uma emergência para a qual não podemos fechar nossos olhos”, disse Tine, antes de pedir que grupos armados respeitassem os trabalhadores humanitários enquanto realizam seu trabalho.

Antes das eleições presidenciais no final deste mês, ele pediu a todos os envolvidos que “proibissem o discurso de ódio e os apelos à violência” durante a campanha que começa em três dias.

O especialista em direitos humanos também enfatizou a necessidade de respeitar a liberdade de reunião e associação, e a liberdade de acesso à mídia, e apelou para que as próximas eleições presidenciais sejam “verdadeiramente livres, transparentes e pacíficas”, atendendo padrões internacionais.


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