Reintegrar ex-rebeldes à vida civil é ‘séria preocupação’ na Colômbia, diz chefe de missão da ONU

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A reintegração de ex-membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que assinaram um acordo de paz histórico com o governo do país em 2016, permanece alvo de sérias preocupações, disse na quarta-feira (11) o chefe da missão de verificação da ONU estabelecida para monitorar o pacto.

Jean Arnault advertiu os membros do Conselho de Segurança que a maioria dos que estão sendo reintegrados ainda não tem perspectivas econômicas ou meios de subsistência claros, uma vez que a remuneração mensal que eles recebem atualmente como parte do processo de paz chegará ao fim em agosto do ano que vem.

Observadores da ONU removendo as últimas das mais de 8.112 armas entregues pelas FARC-EP. Foto: Missão da ONU na Colômbia

Observadores da ONU removem as últimas das mais de 8.112 armas entregues pelas FARC-EP. Foto: Missão da ONU na Colômbia

A reintegração de ex-membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que assinaram um acordo de paz histórico com o governo do país em 2016, permanece alvo de sérias preocupações, disse na quarta-feira (10) o chefe da missão de verificação da ONU estabelecida para monitorar o pacto.

Jean Arnault advertiu os membros do Conselho de Segurança que a maioria dos que estão sendo reintegrados ainda não tem perspectivas econômicas ou meios de subsistência claros, uma vez que a remuneração mensal que eles recebem atualmente como parte do processo de paz chegará ao fim em agosto do ano que vem.

O Conselho Colombiano Nacional para a Reintegração, que inclui membros das FARC e do governo, tem uma enorme tarefa à frente, disse, e precisa entrar em acordo sobre sua abordagem em relação a projetos, terras e reintegração.

No último ano, disse, as FARC, o governo colombiano e a missão da ONU para verificação do acordo concluíram que autoridades locais precisam ser empoderadas, e mais conexões sistemáticas precisam ser desenvolvidas com o setor privado, universidades e outros atores que “desejam e são capazes de apoiar a reintegração de longo prazo”.

Outra preocupação manifestada por Arnault foi a sensação de insegurança jurídica sentida pelos ex-membros das FARC. Reconciliar a paz e a justiça, disse ele, é uma questão polêmica e emocional em todos os lugares. O processo de paz busca trazer a garantia total do devido processo legal, a participação da vítima e os benefícios das sanções restaurativas, que ele descreveu como uma “solução promissora para dilemas antigos e difíceis”.

O chefe da missão de verificação criticou o contínuo assassinato de líderes sociais na Colômbia, citando o homicídio, há poucos dias, na cidade de Bolívar, do líder de um comitê de substituição de cultivos de coca patrocinado pelo governo, um elemento do processo de paz. Ele disse que há uma necessidade urgente de prevenir e solucionar esses crimes.

Observando os desenvolvimentos positivos, Arnault disse que havia um forte espírito de cooperação entre os membros dos órgãos encarregados da implementação do acordo de paz, e a participação política de ex-rebeldes das FARC nas duas câmaras do Congresso colombiano, onde estão contribuindo para debates e legislações.


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