Reintegração de 14 mil ex-combatentes é desafio para paz na Colômbia, diz especialista da ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Outro problema são os relatos de violações do cessar-fogo entre o governo e outra entidade paramilitar, o Exército de Liberação Nacional (ELN). Representante máximo da ONU no país disse, em pronunciamento no Conselho de Segurança, que organismo internacional “acompanhará de perto” a situação.

Jean Arnault, representante máximo da ONU na Colômbia, em pronunciamento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Foto: ONU/Manuel Elias

Jean Arnault, representante máximo da ONU na Colômbia, em pronunciamento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Foto: ONU/Manuel Elias

Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, o representante máximo da Organização na Colômbia, Jean Arnault, alertou nesta semana (10) que a inclusão socioeconômica de ex-soldados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) permanece um desafio para a paz no país. Outro problema são os relatos de violações do cessar-fogo entre o governo e outra entidade paramilitar, o Exército de Liberação Nacional (ELN). Enviado das Nações Unidas disse que organismo internacional “acompanhará de perto” a situação.

“Enquanto as peças da estabilização estão se encaixando, não podemos perder de vista os desafios da reintegração”, frisou Arnault, que lembrou a realização futura de eleições parlamentares e presidencial.

Na avaliação do dirigente, o pleito, previsto para este ano, será uma oportunidade para consolidar o estabelecimento das FARC como partido político e permitir à antiga organização de guerrilha conquistar assentos no governo.

Em menos de dois anos, a Colômbia também realizará eleições para províncias e outras localidades.

“Mas continuamos a ver com preocupação a integração socioeconômica dos 14 mil ex-combatentes”, disse Arnault, explicando que muitos deles ainda estão na prisão e se sentem extremamente frustrados com o processo de reintegração.

O representante da ONU no país descreveu como importante a decisão do presidente colombiano Juan Manuel Santos de reconhecer o acesso a terra como incentivo fundamental ao processo de reinserção social dos rebeldes. Já os membros das FARC demonstraram de forma concreta que estão dispostos e capazes de trabalhar com agricultura, proteção ambiental e substituição de safras.

Para Arnault, que lidera a Missão de Verificação da ONU na Colômbia, decisões são “desdobramentos promissores”, mas não mais do que isso. Os próximos meses têm de ser a ocasião para “virar a página” e tornar mais consistente um processo ainda frágil.

A missão começou a operar em 26 de setembro de 2017, com o propósito de monitorar o cumprimento de compromissos do governo e das FARC em reintegrar tropas à sociedade colombiana e garantir a segurança em territórios afetados pelo conflito armado.

ELN volta a atacar tropas do governo e propriedades

A respeito do cessar-fogo temporário entre o governo e o ELN, Arnault enfatizou que o clamor pela suspensão prolongada de ações militares foi unânime no país. O representante da ONU reiterou a necessidade de manter reduzido o nível de violência, como foi visto ao longo dos últimos três meses de trégua. Todavia, cobrou um cessar-fogo mais sólido e com termos mais claramente definidos.

“Infelizmente, foi anunciado há pouco que ataques contra oleodutos pelo ELN foram retomados. Acompanharemos de perto os desdobramentos e manteremos o Conselho informado”, acrescentou o dirigente.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitará a Colômbia no sábado (13) para apoiar os esforços de paz no país.


Comente

comentários