Regiões Metropolitanas brasileiras têm Alto Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, mostra Atlas Brasil

Regiões Metropolitanas de São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Vitória são as de maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Manaus, Belém, Fortaleza, Natal e Recife são as regiões com menor IDHM.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

  • Regiões Metropolitanas de São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Vitória são as de maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM);
  • Manaus, Belém, Fortaleza, Natal e Recife são as RMs com menor IDHM;
  • Entre 2000 e 2010, todos os índices e subíndices das RMs registraram avanços; a disparidade entre o maior e o menor IDHM também diminuiu – de 22,1% para 10,3%;
  • Em 2000, 39% das Unidades de Desenvolvimento Humano (áreas menores que bairros nos territórios mais populosos e heterogêneos, mas iguais a municípios inteiros quando estes têm população insuficiente para desagregações estatísticas) das RMs tinham baixo ou muito baixo desenvolvimento humano. Em 2010, nenhuma tinha muito baixo desenvolvimento humano e apenas 2% tinham baixo desenvolvimento humano.

Dados de desenvolvimento humano de 16 Regiões Metropolitanas (RM) do país mostram redução das disparidades entre regiões do Norte e do Sul do país, entre 2000 e 2010. As informações fazem parte do novo Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, lançado hoje (25/11), em Brasília, fruto de uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP). Os dados são calculados com base nos Censos Demográficos de 2000 e 2010, do IBGE.

O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras é uma extensão do site lançado em 2013 (www.atlasbrasil.org.br), que trazia o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 5.565 municípios brasileiros, além de outros 200 indicadores socioeconômicos. Agora, a plataforma pretende mostrar a evolução dos indicadores entre 2000 e 2010 em 16 Regiões Metropolitanas Brasileiras, bem como evidenciar as disparidades existentes dentro das mesmas, antes omitidas pelas médias municipais.

Ao olhar separadamente as Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) – áreas menores que bairros nos territórios mais populosos e heterogêneos, mas iguais a municípios inteiros quando estes têm população insuficiente para desagregações estatísticas – de cada RM, é possível ver as diferenças entre elas em termos de desenvolvimento humano.

Nesta primeira etapa do projeto, serão contempladas 16 RMs. São elas: Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal (RIDE-DF), Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.

O presidente do Ipea, Sergei Soares, defende a importância da adaptação da ferramenta para o nível metropolitano. “A centralidade dos espaços metropolitanos para a vida econômica, social e política do país exigiu a construção de uma versão do Atlas que incorporasse os espaços intramunicipais e intrametropolitanos”, diz.

PNUD/reprodução

O IDHM das Regiões Metropolitanas utiliza a mesma metodologia que o IDHM lançado no ano passado e confirma que, embora as disparidades ainda sejam marcantes no Brasil, elas estão diminuindo, tanto entre as próprias RMs – que se encontram todas na categoria de alto desenvolvimento humano – quanto no âmbito intramunicipal. Ainda que as capitais ou municípios-núcleo das RMs possuam melhor IDHM que os conjuntos de municípios do entorno, entre 2000 e 2010, a mediana dos municípios do entorno apresentou maior evolução que a mediana das capitais.

Ainda assim, é possível encontrar casos extremos em uma mesma Região Metropolitana. No caso de Manaus, por exemplo, a renda média da Unidade de Desenvolvimento Humano (UDH) mais abastada é 47 vezes maior que a da UDH mais carente. Se considerarmos todas as mais de 9.000 UDHs pesquisadas, pode-se notar também uma diferença de 15 anos em termos de expectativa de vida ao nascer. Na Educação, entre as UDHs com melhor desempenho, o percentual de pessoas de 18 ou mais anos de idade com ensino fundamental completo varia de 91% a 96%; já nas UDHs com o pior desempenho, a variação fica entre 21% e 37% .

Jorge Chediek, representante residente do PNUD, chama atenção para que gestores e população utilizem os dados da publicação não apenas para constatar as disparidades, mas para direcionar e reivindicar políticas públicas inclusivas e eficientes para as áreas mais carentes. “Para além de evidenciar o fato de que o país ainda tem um caminho a percorrer na redução das desigualdades em suas cidades, a intenção do Atlas é justamente ajudar no estabelecimento de políticas inclusivas que tenham como fim a melhoria das condições de vida das pessoas”.

“O Atlas é sem dúvida de grande utilidade para gestores, pesquisadores e estudantes. É ainda um instrumento de empoderamento para uma sociedade que está cada dia mais atenta e participante”, reforça Marilena Chaves, presidente da FJP.

O IDHM das RMs e suas dimensões

O IDHM é composto por três dimensões: longevidade, educação e renda. No caso das regiões metropolitanas, por apresentar o índice mais alto entre as três dimensões, o IDHM Longevidade é o que mais contribui para o resultado final do IDHM nas 16 RMs, ficando o IDHM Renda em segundo lugar. Entretanto, o IDHM Educação foi o que registou os avanços mais expressivos entre 2000 e 2010, sendo a dimensão que mais avançou em termos absolutos e relativos em todas as RMs.

Em 2000, as maiores diferenças na dimensão da Educação estavam entre as RMs de São Paulo (0,592) e a de Manaus (0,414). Em 2010, as maiores disparidades nesta dimensão ficam entre São Luís (0,737) e Manaus (0,636).Ou seja, a diferença de disparidades na dimensão Educação das RMs,entre 2000 e 2010, caiu de 43% para 15,9%. Vale lembrar que a RM de Manaus obteve um crescimento de 53,6% em termos relativos o que ainda assim não foi suficiente para melhorar sua posição em relação às demais RMs.

Na dimensão da Renda, em 2000, a maior diferença estava entre as RMs de São Paulo (0,779) e da Grande São Luís (0,647). Em 2010, os extremos passam a ser RIDE-DF(0,826) e Fortaleza (0,716). Nota-se que entre 2000 e 2010, os crescimentos nos níveis de renda foram expressivos em todas as RMs, mas os maiores avanços foram observados nas RMs de pior performance em 2000, produzindo uma retração relativa na disparidade de renda entre as RMs. A RM de São Luís obteve um crescimento de 58,3% nesta dimensão, enquanto São Paulo, a RM que possuía o melhor desempenho em 2000, cresceu 22,9%.

Na Longevidade, a maior diferença em 2000 estava entre Porto Alegre (0,809) e São Luís (0,729). Já em 2010, essa diferença maior passa a estar entre as RMs RIDE-DF (0,857) e São Luís (0,809). Vale também ressaltar que, em 2000, o indicador utilizado para o cálculo do IDHM Longevidade, a esperança de vida ao nascer, mostrava uma diferença de 4,82 anos, que foi reduzido para apenas 2,9 anos, em 2010. Este fato mostra como esta dimensão apresenta índices menos díspares entre as RMs pesquisadas.

PNUD/reprodução

NOTAS PARA EDITORES

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil traz uma ferramenta gratuita de acesso a informações sobre 5.565 municípios brasileiros e agora mais 16 RMs, útil tanto para os gestores públicos quanto para a sociedade em geral. Nele estão contidos o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) além de mais de 200 indicadores socioeconômicos do país. Desde o seu lançamento no ano passado, a plataforma do Atlas já teve mais de 5 milhões de acessos.

Apesar de ter sua metodologia baseada no cálculo do IDH Global – publicado anualmente pela sede do PNUD em Nova York para mais de 150 países – , a comparação entre IDHM e IDH não é possível, já que o IDHM é uma adaptação metodológica do IDH ao nível municipal, utilizando outros indicadores em sua composição além de outra base de dados (neste caso, os Censos do IBGE). Assim, ambos agregam as dimensões longevidade, educação e renda, mas com diferentes indicadores e base de dados para retratar estas dimensões.

Regiões metropolitanas avançam no desenvolvimento humano e reduzem disparidades

Estudo do PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro mostra avanços nas regiões metropolitanas, mas também revela a disparidade remanescente dentro dos municípios.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Fundação João Pinheiro e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram hoje (25/11) o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras. Parte da série Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, ele é composto por um site (www.atlasbrasil.org.br) e por uma publicação.

Entre 2000 e 2010, as 16 Regiões Metropolitanas (RMs) pesquisadas registraram avanços no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e em todos os outros 200 indicadores socioeconômicos levantados. Atualmente, todas as regiões metropolitanas pesquisadas se encontram na faixa de Alto Desenvolvimento Humano, com IDHM acima de 0,700. São elas: Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, São Paulo e Vitória.

Mesmo com o avanço generalizado, o ritmo de crescimento entre elas não foi o mesmo. As RMs que possuíam os menores indicadores tiveram um ritmo de crescimento mais acelerado do que as que já estavam em patamares mais altos de desenvolvimento humano, o que contribuiu para a redução do hiato entre elas.

Entre 2000 e 2010, a diferença entre a RM de IDHM mais elevado (São Paulo) e a RM de IDHM mais baixo (Manaus) caiu de 22,1% para 10,3%. Em termos de IDHM, portanto, as regiões metropolitanas estão menos desiguais em 2010 do que estavam em 2000.

Apesar da reconhecida melhora e da redução das disparidades, a desigualdade dentro dos municípios ainda é um fator marcante. Em casos extremos, na mesma região metropolitana há Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs) – áreas menores que bairros nos territórios mais populosos e heterogêneos, mas iguais a municípios inteiros quando estes têm população insuficiente para desagregações estatísticas – com renda domiciliar per capita mensal de quase R$ 7,9 mil, enquanto em outras UDHs esse valor não chega a R$ 170, uma diferença de 45 vezes entre a UDH mais abastada e a mais carente.

A esperança de vida ao nascer varia, em média, 12 anos dentro das RMs. Se consideradas todas as mais de 9 mil UDHs pesquisadas, das 16 RMs analisadas, o melhor dado corresponde a 82 anos, enquanto o mais baixo é de 67 anos. São 15 anos de diferença em termos de expectativa de vida ao nascer.

Apesar de a dimensão educação ter sido a que mais avançou, em comparação com longevidade e renda, as disparidades também se repetem aqui, como no caso da escolaridade da população adulta. Nas UDHs com melhor desempenho entre todas as 16 regiões metropolitanas, o percentual de pessoas de 18 anos ou mais de idade com ensino fundamental completo varia de 91% a 96%. Já nas UDHs com pior desempenho, a variação fica entre 21% e 37%.

As desigualdades em cada região metropolitana são, muitas vezes, mascaradas pelas médias, dando a falsa impressão de que os municípios são homogêneos. A partir da análise dos dados é possível concluir que mesmo nas regiões metropolitanas mais carentes, como Manaus e Belém, há “bolsões” com muito alto desenvolvimento humano. O mesmo vale para as Rms com maior IDHM, como São Paulo e a RIDE do Distrito Federal, por exemplo, em que há várias UDHs com baixos níveis de renda e educação.

Troca de posições entre os mais altos

A diferença no ritmo de evolução do IDHM nas regiões metropolitanas acarretou uma troca nas primeiras posições. Em comparação ao ano 2000, as Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e de Porto Alegre deixaram de figurar entre as cinco com maior Índice de Desenvolvimento Humano. Com um ritmo de crescimento mais acelerado, entraram em seus lugares a RIDE do Distrito Federal a Região Metropolitana da Grande Vitória.

Em situação oposta estão as Regiões Metropolitanas de Recife, Natal, Fortaleza, Belém e, em último lugar, Manaus, que apresenta o menor IDHM entre as Regiões Metropolitanas pesquisadas.

PNUD/reprodução

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