Região do Sahel, na África, sofre ameaças de terrorismo e crime organizado, alerta ONU

Para Ban Ki-moon, o tamanho vasto do Sahel e as fronteiras largas e porosas fazem com que a situação só possa ser resolvida se os países da região trabalharem juntos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visita a mesquita de Djingareyber, em Timbuktu, durante sua visita oficial ao Mali em novembro de 2013. Foto: ONU/Mark Garten

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visita a mesquita de Djingareyber, em Timbuktu, durante sua visita oficial ao Mali em novembro de 2013. Foto: ONU/Mark Garten

Terrorismo, tráfico de armas, drogas e pessoas, e outras formas transnacionais do crime organizado estão ameaçando a segurança na vasta região subsaariana do Sahel, na África, alertou nesta quinta-feira (12) o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

“O tamanho vasto do Sahel e fronteiras longas e porosas significam que tais desafios podem ser abordados com sucesso apenas se os países da região trabalharem juntos”, disse Ban ao Conselho de Segurança no início de uma reunião sobre a situação na região, que também foi dirigida pelo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, e o enviado especial do secretário-geral para o Sahel, Romano Prodi.

“As Nações Unidas continuarão seus esforços para promover segurança, boa governança e resiliência”, disse ele, pedindo também que seja feito mais para abordar a crise alimentar que assola a região e também para melhorar as condições nas comunidades de origem de migrantes, enquanto se geram mais oportunidades legais de trabalho para os migrantes no exterior.

Ban recordou sua visita com Kim no mês passado para quatro países do Sahel – Mali, Nigéria, Burkina Faso e Chade –, citando uma visita muito comovente a Timbuktu, no norte do Mali, uma região tomada por radicais islamitas em 2012 antes de eles terem sido expulsos por forças lideradas pelos franceses.

“As pessoas lá estão lutando para se recuperar de abusos aos direitos humanos e reviravoltas”, disse. “Eu tive uma oportunidade de visitar os tesouros culturais que foram danificados no ataque. É uma perda terrível para o Mali – e para a nossa herança global comum – mas com a ajuda da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), estamos nos movimentando para protegê-la.”

Ele acrescentou, no entanto, que permanece preocupado com a situação de segurança no Mali, apesar do progresso feito na direção de restabelecer a ordem constitucional no país que, nos últimos dois anos, testemunhou um golpe de Estado, lutas entre forças do governo e rebeldes Tuareg e o ataque ao norte pelos islamitas.

Ele pediu fortalecimento contínuo da Missão Multidimensional Integrada da ONU para a Estabilização no Mali (MINUSMA), uma força de 12.600 pessoas estabelecida pelo Conselho em abril e autorizada “a usar todas as medidas necessárias” para executar tarefas de estabilização referentes à segurança, proteger civis, equipes da ONU e artefatos culturais e para criar condições para ajuda humanitária.

O Sahel se estende da Mauritânia, no oeste, até a Eritreia, no leste, um cinturão vasto dividindo o deserto do Saara e as savanas ao sul. A região já passou por três grandes secas em menos de uma década e mais de 11 milhões de pessoas estão em risco de fome, com 5 milhões de crianças com menos de cinco anos correndo o risco de malnutrição aguda.