Região das Américas elimina tétano materno e neonatal

Haiti conseguiu eliminar tétano materno e neonatal. Foto: UNICEF/Michelle Marrion

Os países das Américas eliminaram o tétano materno e neonatal, doença conhecida pela sigla TMN e responsável pela morte de mais de 10 mil recém-nascidos por ano na região. A erradicação foi declarada este ano no Haiti, o que permitiu a organismos internacionais considerar todas as nações americanas livres da infecção. Anúncio foi feito nesta semana (21) pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Segundo as duas agências da ONU, o TMN é a sexta doença evitável — por vacinação — a ser eliminada das Américas.

Em 1971, foi comprovada a erradicação regional da varíola. Treze anos depois, foi a vez da poliomielite. Em 2015, a rubéola e a síndrome da rubéola congênita foram eliminadas. No ano passado, o sarampo também entrou para lista de patologias que podem ser prevenidas com imunização e que foram erradicadas das Américas.

“A eliminação do tétano materno e neonatal comprova mais uma vez que as vacinas salvam a vida de incontáveis mães e bebês”, defendeu a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne. “Continuemos a proteger a população de nossa região com investimentos em programas nacionais de imunização, que sejam capazes de vacinar todas as pessoas e identificar rapidamente as doenças evitáveis por vacinação.”

A avaliação do quadro epidemiológico do TMN é distinta da realizada para outras infecções prevenidas com vacinas. A OPAS considera que há eliminação da doença quando a taxa anual é inferior a um caso de tétano neonatal por mil nascidos vivos no âmbito distrital.

A erradicação absoluta da patologia não é possível porque a bactéria causadora da doença, Clostridium tetani, está presente em todo o ambiente – no solo e nas fezes de muitos animais diferentes.

Infecção mortal

A mortalidade média do tétano neonatal — mais de 10 mil recém-nascidos mortos anualmente — é um índice considerado baixo pelos especialistas devido à elevada taxa de subnotificação dos casos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, a doença matou cerca de 34 mil recém-nascidos em todo o mundo, uma redução de 96% em relação ao ano de 1998, quando 787 mil crianças morreram por causa da infecção em seu primeiro mês de vida.

O tétano neonatal ocorre quando o coto umbilical não cicatrizado do recém-nascido é infectado pela bactéria C. tetani, sobretudo quando o instrumento usado para cortar o cordão umbilical não está esterilizado; quando o bebê nasce sobre uma superfície contaminada; quando as mãos da pessoa que faz o parto não estão limpas; ou quando se usam substâncias populares que são, na verdade, prejudiciais para os cuidados com o coto umbilical.

Com frequência, a doença é fatal porque a paralisia impede a respiração e a amamentação. A prevenção é feita pela imunização das gestantes contra o tétano, com a administração da vacina dT — sigla para a vacina contra difteria e tétano do tipo adulto — ou TT — a vacina antitetânica. As infecções são evitadas garantindo uma boa higiene durante o parto e os cuidados pós-parto.

O recente progresso na eliminação global levou à eliminação do TMN em 43 países, incluindo o Haiti, entre 2000 e junho de 2017. No mundo, há 16 países que ainda não erradicaram a doença.

“As crianças e suas mães são o tesouro mais precioso das Américas. A promoção de sua saúde e de uma perspectiva de desenvolvimento é a melhor opção que temos, tanto como organizações, quanto como comunidade humana, para construir um futuro brilhante”, enfatizou a diretora regional do UNICEF para a América Latina e o Caribe, Maria Cristina Perceval.

Mantendo a eliminação

Para manter a eliminação do TMN, o Haiti elaborou um plano com sete linhas de ação:

  • alcançar e manter a cobertura mínima de 80% de vacinação contra o tétano;
  • fazer análises periódicas do risco de TMN;
  • organizar campanhas de imunização suplementar em departamentos de alto risco quando se considerar necessário com base na análise de risco;
  • adotar e implementar uma política de vacinação adicional com dT de crianças e adolescentes;
  • melhorar a acessibilidade a partos assistidos e a qualidade desses partos;
  • reforçar a educação da comunidade sobre os cuidados com o cordão umbilical; e melhorar a vigilância.

A OPAS incentiva todos os países na região a intensificarem seus esforços para manter a cobertura de imunização materna contra o tétano no patamar recomendado de 95%. Várias nações americanas não alcançaram esse objetivo nos últimos anos.

“Como nunca será possível erradicar o tétano, ainda poderia haver um caso isolado de tétano neonatal nas Américas”, explicou o responsável pelo Programa de Imunização Integral da Família da OPAS, Cuauhtemoc Ruiz.

“Nesse caso, os países devem fazer uma avaliação minuciosa para determinar como a doença poderia ter sido evitada a fim de prevenir novos casos.”