Região das Américas é a 1ª do mundo a ser declarada livre de sarampo

A região das Américas passou a ser a primeira do mundo declarada livre de sarampo, uma doença viral que pode causar severos problemas de saúde, incluindo pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e morte. No Brasil, o último caso de sarampo foi registrado em julho do ano passado, informou a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Sarampo tornou-se a quinta doença evitável por vacinação eliminada nas Américas. Foto: EBC

Sarampo tornou-se a quinta doença evitável por vacinação eliminada nas Américas. Foto: EBC

A região das Américas passou a ser a primeira do mundo declarada livre de sarampo, uma doença viral que pode causar severos problemas de saúde, incluindo pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e morte. No Brasil, o último caso de sarampo foi registrado em julho do ano passado, informou a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Segundo a agência da ONU, a conquista é fruto de 22 anos de esforços que envolveram uma ampla administração da vacina contra sarampo, bócio e rubéola no continente.

A declaração da eliminação do sarampo foi entregue nesta terça-feira (27) pelo Comitê Internacional de Especialistas (CIE) de Documentação e Verificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome de Rubéola Congênita nas Américas, durante o 55º Conselho Diretivo da OPAS/OMS, da qual participam nesta semana ministros da Saúde da região.

O sarampo se torna assim a quinta doença evitável por vacinação eliminada nas Américas, após a erradicação regional da varíola em 1971, da poliomielite em 1994 e, em 2015, da rubéola e da síndrome de rubéola congênita.

“Hoje é um dia histórico para nossa região e, sem dúvida, para o mundo. É a prova do notável êxito que se pode alcançar quando os países trabalham juntos em solidariedade para alcançar uma meta comum”, disse Carissa Etienne, diretora da OPAS/OMS. “É o resultado de um compromisso feito há mais de duas décadas, em 1994, quando os países das Américas se comprometeram a acabar com o sarampo no início do século 21”, completou.

Antes de começar a vacinação em massa em 1980, o sarampo causava cerca de 2,6 milhões de mortes ao ano no mundo. Nas Américas entre 1971 e 1979, causou cerca de 101,8 mil disfunções. Um estudo sobre a efetividade da eliminação do sarampo na América Latina e no Caribe estimou que, com a vacinação, 3,2 milhões de casos de sarampo e 16 mil mortes tenham sido evitadas na região entre 2000 e 2020.

Desde 2002, quando foi notificado nas Américas o último caso endêmico de sarampo, a região havia interrompido a transmissão do vírus. Como o sarampo continua circulando globalmente, em alguns países foram notificados casos importados de outras partes do mundo.

O Comitê Internacional de Especialistas (CIE) de Documentação e Verificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome de Rubéola Congênita nas Américas recebeu entre o ano passado e agosto deste ano as evidências apresentadas por todos os países da região da eliminação dessa doença e as considerou satisfatórias para a declaração. O processo levou seis anos de trabalho com os países para documentar as evidências da eliminação.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas e afeta particularmente as crianças. É transmitida pelo ar ou contato direto com secreções procedentes de nariz, boca e garganta de pessoas infectadas. Os sintomas incluem febre alta, erupção generalizada em todo o corpo, congestão nasal e olhos avermelhados. Pode causar complicações graves, tais como cegueira, encefalite, diarreia intensa, infecções de ouvido e pneumonia, sobretudo em crianças com problemas nutricionais e pacientes imunodeprimidos.

Como resultados dos esforços da eliminação global do sarampo, em 2015 foram reportados apenas 244.704 casos globalmente, o que significou uma queda importante em relação a anos anteriores. No entanto, mais da metade dos casos foi registrada na África e na Ásia.

Brasil

Após declarar a eliminação da rubéola e a síndrome de rubéola congênita em 2015, o Comitê Internacional de Especialistas esperou que fossem apresentadas evidências da interrupção de um surto de sarampo no Brasil, que havia começado em 2013 e durou mais de um ano. Depois de um ano de ações dirigidas e extrema vigilância, o último caso de sarampo no Brasil foi registrado em julho do ano passado.