Refugiados sírios recorrem à mendicância, à prostituição e ao trabalho infantil para sobreviver, afirma ONU

Sem uma solução política para o conflito em vista, a maior parte dos 3,9 milhões de refugiados sírios na Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito não têm perspectiva de voltar para casa em um futuro próximo, e têm poucas oportunidades de recomeçar suas vidas fora de seu país.

Refugiados curdos sírios entram na Turquia, próximo à cidade de Kobane, assolada pelo conflito. Foto: ACNUR

Refugiados curdos sírios entram na Turquia, próximo à cidade de Kobane, assolada pelo conflito. Foto: ACNUR

O conflito na Síria está entrando em seu quinto ano e as condições de vida deterioram-se em uma escala alarmante, para os milhões de refugiados sírios em países vizinhos, assim como para os deslocados internamente no país. Segundo informou nesta quinta-feira (12) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estas pessoas estão sujeitas a um futuro incerto, até mesmo sem apoio internacional suficiente.

Sem uma solução política para o conflito em vista, a maior parte dos 3,9 milhões de refugiados sírios na Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito não têm perspectiva de voltar para casa em um futuro próximo, e têm poucas oportunidades de recomeçar suas vidas fora de seu país. No Líbano, cerca de metade dos refugiados sírios vivem em moradias inapropriadas, sem qualquer segurança – 30% a mais que no ano passado-, o que demonstra o desafio constante de mantê-los seguros e aquecidos. Uma pesquisa com 40 mil famílias sírias que vivem em áreas urbanas da Jordânia revelou que dois terços deles estavam vivendo abaixo da linha da pobreza.

O Alto Comissário para Refugiados, António Guterres, reiterou que muito ainda precisa ser feito para retirar os sírios do pesadelo em que vivem. “Após cinco anos, as economias dos refugiados já se esgotaram e um número crescente está recorrendo à mendicância, à prostituição e ao trabalho infantil. Famílias de classe média com crianças mal sobrevivem nas ruas: um pai disse que a vida como refugiado era como estar preso em areia movediça – quanto mais você se mexe, mais você afunda”, afirmou Guterres.

“A pior crise humanitária da nossa era deveria gerar um clamor global por apoio. Ao invés disso, a ajuda está diminuindo. Com os apelos humanitários sistematicamente subfinanciados, não há ajuda suficiente para atender as enormes necessidades – nem apoio suficiente ao desenvolvimento dos países de acolhida de refugiados, que estão sucumbindo com o crescente número de pessoas”, acrescentou Guterres. Segundo ele, com o massivo fluxo de refugiados sírios durante os últimos quatro anos, a Turquia tornou-se o país com o maior número de refugiados da crise síria, investindo mais de 6 bilhões de dólares em assistência direta a eles.

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