Refugiados rohingya recebem novos cartões de identidade em Bangladesh

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Os refugiados rohingya abrigados em Bangladesh estão recebendo novos cartões de identidade, em um processo que procura proporcionar reconhecimento e proteção à comunidade muçulmana deslocada de Mianmar.

Para muitos, essa é a primeira vez que portam um documento de identificação individual. A iniciativa, que teve início no final de junho, deve levar até seis meses para ser concluída.

Gul Zahar, 90, refugiada rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Gul Zahar, 90, refugiada rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Os refugiados rohingya abrigados em Bangladesh estão recebendo novos cartões de identidade, em um processo que procura proporcionar reconhecimento e proteção à comunidade muçulmana deslocada de Mianmar.

Para muitos, essa é a primeira vez que portam um documento de identificação individual. Comunicado foi feito pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na sexta-feira (6).

A iniciativa, que teve início em 21 de junho, deve levar até seis meses para ser concluída.

De acordo com Charlie Yaxley, porta-voz da agência, a medida permitirá consolidar um banco de dados para fins de proteção e assistência, gerenciar identidades e estatísticas de população, bem como avançar para uma solução para os problemas de cerca de 900 mil refugiados.

Desde agosto do ano passado, mais de 720 mil pessoas fugiram em uma das maiores ondas de deslocamento forçado do mundo – e que mais cresce em décadas.

“A verificação terá um papel fundamental no estabelecimento de identidades de refugiados e seus locais de origem em Mianmar”, disse Yaxley.

“Isso ajudará a preservar o direito de voltar voluntariamente para casa, se e quando decidirem que as condições são adequadas para isso”, acrescentou.

A ação também ajudará a melhorar a informação precisa sobre os refugiados, apoiando o governo de Bangladesh e os parceiros humanitários no processo para compreender melhor suas necessidades, bem como planejar, orientar e fornecer proteção e assistência; e evitar a duplicação de serviços, indicou Yaxley.

“Os dados biométricos – que incluem registro da íris e impressões digitais, além de fotografias – são utilizados para confirmar as identidades individuais de todos os refugiados rohingyas maiores de 12 anos”, explicou o porta-voz da ACNUR.

As identificações plásticas – do tamanho de um cartão de crédito – são emitidas em conjunto pelo governo de Bangladesh e a ACNUR, com uma série de recursos antifraude.

Até agora, verificaram-se os dados de cerca 4.200 refugiados. Apesar das fortes chuvas de monções nos últimos dias, a maioria compareceu às consultas de verificação, ciente da importância de se possuir uma carteira de identidade.

O ACNUR proporciona laptops, servidores, roteadores sem fio, hardware biométrico e equipamentos de impressão, bem como um software especial de registro biométrico para facilitar todo o procedimento de identificação.

“Após sua visita a Bangladesh esta semana, o alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, disse que é preciso encontrar mais recursos para desenvolver educação, saúde e infraestrutura para construir uma vida mais sustentável para os refugiados rohingya e seus anfitriões”, disse Yaxley.

Dez meses após a crise dos refugiados de rohingya, a resposta continua focada em atender às enormes necessidades humanitárias e encontrar soluções para o impacto das chuvas de monção nos assentamentos de refugiados.

Até o momento, o Plano Conjunto de Resposta da ONU para a situação dos refugiados rohingya em Bangladesh obteve apenas 26% de financiamento.

“É necessário apoio internacional adicional para intensificar a assistência do apoio humanitário e cotidiano à assistência de médio prazo e desenvolvimento”, afirmou Yaxley, ecoando a mensagem do alto-comissário.


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