Refugiados rohingya constroem casas em novo acampamento de Bangladesh

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Diante da crise humanitária em Mianmar, o governo de Bangladesh cedeu uma área de 1,2 mil hectares no distrito de Cox’s Bazar para acolher refugiados rohingya.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem trabalhado ao lado das autoridades do país para demarcar espaços para instalações comuns, incluindo centros comunitários, postos de saúde, escolas e espaços para as crianças.

Mais de 5 mil refugiados serão realocados para a nova área do campo de Kutupalong, com cerca de 1,2 mil hectares, cedida pelo governo de Bangladesh para abrigar os recém-chegados. Foto: ACNUR Somália.

Mais de 5 mil refugiados serão realocados para a nova área do campo de Kutupalong, com cerca de 1,2 mil hectares, cedida pelo governo de Bangladesh para abrigar os recém-chegados. Foto: ACNUR Somália.

Naju Miya e sua família estiveram de mudança pelos últimos dois meses, dormindo na floresta, na praia, em mesquitas e em escolas, enquanto eram forçados a fugir da violência do estado de Rakhine, ao norte de Mianmar.

Desde que deixou Maungaw em agosto, Naju, de 60 anos, viu sua casa pegar fogo, seu sobrinho levar um tiro e morrer, dentre outras atrocidades. Sua filha Yasmin, de 15 anos, lembra: “enfrentamos tantos problemas pelo caminho”. “Não tínhamos para onde ir, e ficávamos doentes o tempo inteiro”, disse.

Na semana passada, a família de oito pessoas finalmente encontrou um novo lar no campo de refugiados de Kutupalong, no distrito de Cox’s Bazar, que foi ampliado em 1,2 mil hectares. A área de extensão foi cedida pelo governo de Bangladesh para acolher os novos refugiados.

Yasmin e seu pai estão entre os mais de 1,7 mil novos refugiados que até quinta-feira (26) estavam abrigados em escolas. No total, 5 mil refugiados serão realocados desses colégios e de um centro transitório para o novo campo de Kutupalong.

“A realocação permitirá que as escolas para refugiados reabram suas portas, liberando espaço para as novas pessoas que chegam”, disse Louise Aubin, coordenadora sênior de emergência do ACNUR em Cox’s Bazar. “Espaço continua sendo um dos maiores desafios para garantir abrigo adequado para os que chegam”.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem trabalho ao lado das autoridades de Bangladesh para construir um novo local, demarcar os espaços para instalações comuns, incluindo centros comunitários, postos de saúde, escolas e espaços para as crianças.

O ACNUR também está atuando ao lado de seus parceiros para construir banheiros, garantindo que padrões de higiene básica sejam respeitados. A agência da ONU já contribuiu com 2 milhões de dólares para construir uma rodovia com o objetivo de melhorar o acesso dos refugiados rohingya aos locais de acolhida e acelerar a assistência humanitária.

Voluntários têm ajudado os refugiados mais vulneráveis a levar seus pertences para o novo local. A organização Action Against Hunger fornece comida enquanto a ONG local Gonoshasthaya Kendra auxilia com cuidados médicos. O ACNUR está distribuindo kits de abrigo como lonas de plástico, varas de bambu e cordas. A ONG internacional Save the Children mobilizou pessoal para ajudar os refugiados a construírem seus abrigos.

Naju Miya limpou a terra dos arbustos, mas não conseguiu lidar com o trabalho pesado de erguer o abrigo. Suas crianças, duas sobrinhas e seus três filhos fizeram o possível, agradecendo o apoio dos voluntários.

À medida que a construção estava em andamento, eles criaram um fogão improvisado e cozinharam arroz com peixe seco. Até os bebês estavam sorrindo, sentindo a alegria do ambiente.

Fazendo uma pausa sob um toldo do ACNUR, Yasmin sorri: “agora estou feliz”. “Aqui o tempo está bom e nós temos o nosso próprio espaço. Eu me sinto livre como um pássaro!”.

Ela admite que apesar da violência e da trajetória turbulenta que enfrentaram, sente falta de sua família e de seus amigos em Maungdaw, e chora quando pensa neles.

Quando questionada se eles considerariam voltar algum dia, sua prima Humaira, de 21 anos, diz que “se a situação melhorar, e o governo de Mianmar nos der liberdade, identidade e direitos como os cidadãos de Mianmar, nós voltaremos”.

Aproximadamente 605 mil refugiados chegaram a Bangladesh vindos de Mianmar nos últimos dois meses.


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