Refugiados participam da Festa Literária Internacional de Paraty

O tema do refúgio esteve presente na programação da 17ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty, a Flip, que aconteceu entre 10 e 14 de julho. Como um dos destaques da programação educativa, um barco navegou pelas águas do oceano Atlântico para contar a história de uma criança refugiada síria que atravessou as águas do Mediterrâneo em busca de proteção. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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O tema do refúgio esteve presente na programação da 17ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty, a Flip, que aconteceu entre 10 e 14 de julho. Como um dos destaques da programação educativa, um barco navegou pelas águas do oceano Atlântico para contar a história de uma criança refugiada síria que atravessou as águas do Mediterrâneo em busca de proteção.

Embora seja uma obra de ficção, o livro infanto-juvenil “Amal e a viagem mais importante de sua vida”, publicado pela Editora Caixote, conta a história de uma criança síria e representa a realidade de muitas outras — o deslocamento forçado e às vezes solitário, por longínquas e perigosas trajetórias.

Na obra literária, a história da jovem Amal é contada ao longo dos caminhos trilhados, sem deixar para trás as lembranças e os conselhos de seu avô que a acompanham o tempo todo. Já na realidade, desde 2011 a Síria está em guerra, ocasionando um saldo de 5,6 milhões de refugiados e mais de 13 milhões de pessoas que necessitam de ajuda humanitária dentro do país.

A atriz e refugiada síria Oula al-Saghir contou a história dentro da embarcação, empregando seu sotaque à leitura da obra.

“Fazer parte da Flip é importante para criar um espaço de diálogo com um público muito especial – as crianças brasileiras. Se elas puderem entender a realidade dos refugiados, serão adultos abertos para a acolhida dessa população”, disse a atriz.

Se pelo mar a ação da leitura foi marcante, por terra a atriz brasileira Lívia Camargo fez um cortejo pelas ruas históricas da cidade de Paraty, dialogando com as crianças que a acompanhavam atentamente.

Outra participação de refugiados aconteceu com a apresentação da Orquestra Mundana Refugi. Composta por músicos brasileiros, refugiados e migrantes, esta orquestra é um notório exemplo de integração cultural, evidenciando as contribuições e saberes que as pessoas refugiadas agregam ao país de acolhida. Como resultado, longos e calorosos aplausos ao término de cada música marcaram a apresentação.

Para o diretor musical da orquestra, Carlinhos Antunes, a apresentação na Flip consagrou todos os esforços que a orquestra tem feito para provar a qualidade artística e humanitária deste projeto.

“As pessoas refugiadas que compõem esse projeto tiveram que deixar os seus países de origem por diversos motivos, muito cruéis: guerras, perseguições por questões políticas e de liberdade de expressão. Aqui, no Brasil, foram acolhidos por essa orquestra em um processo de permanente construção e de valorosas trocas”, disse Carlinhos.

A 17ª Flip, que neste ano homenageou Euclides da Cunha e “Os Sertões”, abordou o tema do refúgio e das migrações forçadas também no bate-papo com Fernanda Paraguassu sobre sua obra infantil “A menina que abraça o vento” e no debate com os escritores Kalaf Epalanga (angolano que se refugiou em Portugal nos anos 1990 para escapar da guerra civil de seu país), Gael Faye (burundiano que retratou em sua obra “Meu pequeno país” os conflitos e o notório genocídio em Ruanda) e Karina Sainz Borgo (venezuelana autora do romance “Noite em Caracas”).