Refugiados não merecem enfrentar ‘preconceito e arame farpado’, lamenta chefe da ONU

Em meio à atual crise de deslocamentos forçados, Ban Ki-moon pediu mais solidariedade da comunidade internacional. O secretário-geral elogiou iniciativa do Banco Mundial, que emprestará a juros baixos 100 milhões de dólares para a Jordânia. O país vai usar o dinheiro para criar mais empregos para seus cidadãos e refugiados sírios.

Na Macedônia, grupo de requerentes de asilo aguarda em centro de recepção para serem registrados e adquirirem um visto temporário de trânsito. Foto: UNICEF / Gjorgji Klincarov

Na Macedônia, grupo de requerentes de asilo aguarda em centro de recepção para serem registrados e adquirirem um visto temporário de trânsito. Foto: UNICEF / Gjorgji Klincarov

“Refugiados têm direito ao asilo – e não (merecem) preconceito e arame farpado”, lamentou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na semana passada (15), em evento sobre deslocamento forçado e desafios de desenvolvimento.

O chefe da ONU reiterou seus apelos à comunidade internacional pedindo mais solidariedade – que deve assumir formas concretas em programas de reassentamento e na criação de caminhos legais para os refugiados.

No dia seguinte a seu pronunciamento, o chefe da ONU participou do 93º Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Durante o evento, Ban Ki-moon mais uma vez falou em favor das populações deslocadas e cobrou mais apoio e cooperação entre atores internacionais.

“Temos que melhor ajudar os países que estão abrigando grandes números de refugiados, inclusive por meio da sua nova e excelente iniciativa de oferecimento de empréstimos excepcionais para países de renda média que recebem grandes populações de refugiados”, disse.

Entre essas iniciativas, está o recém-anunciado empréstimo do Banco Mundial – estimado em 100 milhões de dólares – para a Jordânia, a juros reservados normalmente apenas para os países mais pobres. O montante deverá ser utilizado para criar cerca de 100 mil novos postos de trabalho para jordanianos e refugiados sírios, ao longo dos próximos cinco anos.

Para Ban Ki-moon, a atual crise de deslocamentos em massa não é apenas um episódio envolvendo números, mas sim “uma crise de solidariedade” que exige mais do que a liberação de assistência emergencial. As causas que levam pessoas a abandonar suas casas e cruzar fronteiras são “mais profundas” do que aparentam, afirmou o secretário-geral.

O dirigente máximo das Nações Unidas destacou que refugiados trazem dinamismo e novas habilidades para forças de trabalho que estão envelhecendo, além de serem dedicados à educação e à própria independência.

“Quando gerenciada adequadamente, a aceitação de refugiados é um ganho para todos”, ressaltou Ban Ki-moon. “Demonizá-los não apenas é moralmente errado, é factualmente errado”.

O secretário-geral lembrou ainda que, em maio, será realizada a primeira Cúpula Mundial Humanitária, em Istambul. O evento contará com debates especiais voltados especificamente para as temáticas da migração e do deslocamento forçado. O chefe da ONU acredita que este encontro vai impulsionar as discussões que serão realizadas em setembro, durante a cúpula da Assembleia Geral sobre movimentos em massa de refugiados e migrantes.