Refugiados da República Centro-Africana sonham com retorno para aldeia ribeirinha

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

À beira do rio Ubangi, Jean-Pierre Rondossi aponta para a margem oposta e mostra onde está sua casa e seu coração. A cerca de dez minutos de canoa, estão as ruínas carbonizadas da aldeia de Wapale, na República Centro-Africana.

Foi de lá que ele e sua família fugiram em maio do ano passado, devido aos confrontos entre grupos armados. Para escapar, cruzaram o curso d’água que separa o país da vizinha República Democrática do Congo, destino de outros 60 mil refugiados centro-africanos.

Violência na República Centro-Africana deslocou 60 mil cidadãos do país, que fugiram para a vizinha República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/John Wessels

Violência na República Centro-Africana deslocou 60 mil cidadãos do país, que fugiram para a vizinha República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/John Wessels

À beira do rio Ubangi, Jean-Pierre Rondossi aponta para a margem oposta e mostra onde está sua casa e seu coração. A cerca de dez minutos de canoa, estão as ruínas carbonizadas da aldeia de Wapale, na República Centro-Africana. Foi de lá que ele e sua família fugiram em maio do ano passado, devido aos confrontos entre grupos armados. Para escapar, cruzaram o curso d’água que separa o país da vizinha República Democrática do Congo.

Jean-Pierre e os parentes estão entre os 60 mil refugiados que chegaram do território centro-africano a esta outra nação desde maio de 2017. Os números são da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Wapale agora está vazia, suas casas estão queimadas, o gado foi roubado e os campos de café, mandioca e amendoim foram saqueados e destruídos. Jean-Pierre, sua mãe, esposa e os quatro filhos vivem na aldeia improvisada de Kpakpo, que abriga outros 800 compatriotas e ribeirinhos.

“Um dia, ao voltar da escola, encontrei minha esposa em pânico. Nós fugimos imediatamente”, lembra o ex-professor de 40 anos. “É por isso que ainda estou usando as mesmas roupas que eu usava na aula naquele dia. Isso foi tudo o que eu podia trazer comigo.”

Como muitos dos homens, ele sobrevive com a pesca no rio, mas a vida é dura sem poder cultivar as plantações, bem do outro lado do rio. As mulheres trabalham por 30 centavos de dólar por dia nas terras pertencentes à população de congoleses.

O ACNUR ajudou muitos refugiados centro-africanos, bem como suas comunidades de acolhimento, perfurando poços, fornecendo suprimentos médicos e ajudando a expandir as escolas locais. A agência também está preparando a transferência de alguns dos que se encontram em maior vulnerabilidade para um campo de refugiados.


Mais notícias de:

Comente

comentários