Refugiados apresentam trabalhos manuais em mostra cultural de São Paulo

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Mostra cultural realizada este mês (16) no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, promoveu debates e expôs diferentes trabalhos manuais produzidos por pessoas em situação de refúgio.

Das mais de 10 mil pessoas refugiadas no Brasil, a maioria vive na capital paulista, onde buscam oportunidades em sua área de formação. No entanto, devido à crise econômica e, muitas vezes, ao preconceito, não conseguem emprego e se dedicam a trabalhos manuais para obter renda.

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Mostra cultural realizada este mês (16) no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, promoveu debates e expôs diferentes trabalhos manuais produzidos por pessoas em situação de refúgio.

Das mais de 10 mil pessoas refugiadas no Brasil, a maioria vive na capital paulista, onde buscam oportunidades em sua área de formação. No entanto, devido à crise econômica e, muitas vezes, ao preconceito, não conseguem emprego e se dedicam a trabalhos manuais para obter renda.

Este foi o caso de Mohamad, sírio de 36 anos que há pouco mais de dois anos vive na capital paulista. Jovem e talentoso, Mohamed trabalhava com animação na maior emissora da Síria. Devido à intensificação do conflito, teve que abandonar Damasco rumo ao Brasil.

“Aqui no Brasil, o início foi muito difícil, sempre é difícil para quem chega a um novo país sem ter visitado antes. Desde que cheguei, buscava trabalhar com aquilo que sei fazer, que é animação. É um mercado muito restrito e, por não encontrar oportunidades, tive que me virar, e aqui no Brasil comecei a trabalhar com outro talento que não sabia ter”, disse.

Mohamad vive hoje dos trabalhos artísticos que realiza, como tatuagem de hena e caligrafia árabe. O talento apresentado no Sesc Vila Mariana despertou o interesse de crianças, adultos e idosos, o que resultou em uma lista de espera para serem atendidos.

Renee, natural da Guiana Britânica e casada com um congolês, também teve que deixar sua antiga profissão para atuar no que hoje considera um trabalho e terapia: a fabricação de bonecas africanas, tradicionalmente conhecidas como Abayomi, palavra de origem Iorubá, que significa “encontro precioso”.

“Lá no meu país eu era gerente de um grande restaurante, sendo responsável por toda a logística de produtos e do correto funcionamento dos setores. Depois de viver por cinco anos no Norte do Brasil, há dois estou em São Paulo e vivo atualmente das minhas artes. Disso tenho grande prazer e muito orgulho.”

A mostra cultural teve também uma tenda de maquiagem síria, de roupas e tecidos do Senegal, de bordados e roupas infantis da Sérvia, bolsas e cachecóis do Irã e degustação de suco peruano. Uma oficina de turbante congolês também teve grande demanda no domingo (17), assim como a vivência de música circular mediada pela cantora árabe Oula (da Síria/Palestina) e pelo arte-educador brasileiro Zuza Gonçalves.

O encerramento do evento, sob muitos aplausos, foi realizado com o já consagrado “Sarau dos Refugiados”, que contou com a participação do grupo de cantores congoleses “Os Escolhidos”.


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