Refugiadas participam de workshop sobre cultura brasileira e mercado de trabalho em SP

O desafio de adaptação a uma nova cultura e a um novo mercado de trabalho por quem vem ao Brasil em situação de refúgio motivou a realização de workshop sobre o tema para as participantes do projeto Empoderando Refugiadas. Promovido pelo Carrefour, uma das empresas apoiadoras do projeto, o encontro aconteceu em São Paulo, na quarta-feira (29) e reuniu cerca de 30 mulheres refugiadas.

O Empoderando Refugiadas é um projeto de Rede Brasil do Pacto Global, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e ONU Mulheres que promove o treinamento e inserção de refugiadas no mercado trabalho brasileiro. A iniciativa, que já intermediou a colocação de 21 mulheres no emprego formal, está em sua terceira edição este ano e busca atender cerca de 50 mulheres.

Projeto Empoderando Refugiadas promoveu workshop sobre mercado de trabalho. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

Projeto Empoderando Refugiadas promoveu workshop sobre mercado de trabalho. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

O desafio de adaptação a uma nova cultura e a um novo mercado de trabalho por quem vem ao Brasil em situação de refúgio motivou a realização de workshop sobre o tema para as participantes do projeto Empoderando Refugiadas. Promovido pelo Carrefour, uma das empresas apoiadoras do projeto, o encontro aconteceu em São Paulo, na quarta-feira (29) e reuniu cerca de 30 mulheres refugiadas.

Entre os tópicos trabalhados no treinamento, estava a elaboração adequada de um currículo profissional voltado para a realidade do mercado de trabalho brasileiro, assunto abordando por representante do Projeto RH. De acordo com a congolesa Lysete, este ainda é um desafio. “Aprendemos muito sobre a elaboração do currículo hoje. Haviam várias coisas que não sabíamos, que fazíamos diferente”.

Lysete, que está há quase quatro anos no Brasil, se diz bem adaptada à cultura brasileira. Porém, o choque de realidades ainda é difícil para muitas, como para a marroquina Manyam, que apesar de estar há oito anos no Brasil, ainda sofre com a discriminação no mercado de trabalho. “Uso turbante pela minha cultura e nem todo mundo aceita. Já me disseram que não poderia trabalhar usando o lenço, não entendem a questão religiosa”, afirmou.

Romper a barreira do preconceito é essencial para muitas empresas brasileiras e, segundo a especialista de diversidade e inclusão do Carrefour, Maricelia Machado, também uma forma de enxergar oportunidades. “O sucesso de qualquer negócio parte da vivência com culturas diferentes, isto somente fortalece as organizações, então, é importante que, quando uma pessoa tenha contato com uma cultura diferente, ela se sinta acolhida, para que possa também se sentir confortável na inclusão dentro das organizações”, declarou.

Desafio este que, ainda de acordo com a especialista, envolve conhecer a cultura do país e de quem chega. “É necessário entender as diferenças de cultura e também dar apoio e acolhimento, como o projeto Empoderando Refugiadas vem fazendo, para que elas possam entender como se adaptar a uma nova cultura”, afirmou.

Parte deste processo de adaptação à nova realidade por parte das refugiadas foi auxiliado por representantes da Sietar Brasil e da Fox Time, que além de apresentarem condutas positivas e negativas em situações de recrutamento, discutiram tópicos importantes de adaptação aos costumes brasileiros.

O Projeto

O Empoderando Refugiadas é um projeto de Rede Brasil do Pacto Global, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e ONU Mulheres que promove o treinamento e inserção de refugiadas no mercado trabalho brasileiro. O projeto, que já intermediou a colocação de 21 mulheres no emprego formal, está em sua terceira edição este ano e busca atender cerca de 50 mulheres.

A programação do Empoderando Refugiadas inclui mentorias individuais e workshops que são realizados com o apoio das empresas parceiras ABN AMBO, Carrefour, Facebook, Pfizer, Renner e Sodexo. Todo processo de seleção das mulheres para o projeto é feito Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados (PARR). Entre as outras instituições parceiras, estão Caritas, Consulado do Brasil, Fox Time Recursos Humanos, Grupo Mulheres do Brasil, e Migraflix.