Refugiada síria se forma em arquitetura na Universidade Federal do Paraná

Refugiada no Brasil desde 2013, Lucia Loxca, de 26 anos, é uma das mais de 5,5 milhões de pessoas forçadas a deixar a Síria devido ao conflito no país. Ela vivia em Alepo e cursava o terceiro ano de arquitetura quando sua faculdade foi bombardeada.

Agora, recém-graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lucia pretende usar sua experiência para ajudar outras pessoas em situação semelhante. Em seu trabalho de conclusão de curso, ela desenvolveu o projeto de um Centro de Acolhimento, pensando nos refugiados que chegam ao Brasil. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Refugiada síria, Lucia Loxca recebe seu diploma em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná. Foto: Grupo MARIOS/Divulgação.

Refugiada síria, Lucia Loxca recebe seu diploma em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná. Foto: Grupo MARIOS/Divulgação.

Refugiada no Brasil desde 2013, Lucia Loxca, de 26 anos, é uma das mais de 5,5 milhões de pessoas forçadas a deixar a Síria devido ao conflito no país. Ela vivia em Alepo e cursava o terceiro ano de Arquitetura quando sua faculdade foi bombardeada.

Agora, recém-graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lucia pretende usar sua experiência para ajudar outras pessoas em situação semelhante. Em seu trabalho de conclusão de curso, ela desenvolveu o projeto de um Centro de Acolhimento, pensando nos refugiados que chegam ao Brasil.

O projeto do centro inclui espaço para hospedagem, refeitório, salas de aula, auditórios, espaços para assistência médica e uma área administrativa para lidar com documentação e, além disso, ajudar as pessoas refugiadas a se preparar para o mercado de trabalho e a se integrar à comunidade.

Em seu trabalho, ela incluiu elementos da arquitetura síria, como a “mashrabiya” (muxarabi, em português), um tipo de janela e fachada para proteger contra a luz solar intensa e que também serve como ornamento. Para Lucia, alguns desses elementos não são apenas arquitetônicos, mas uma forma de oferecer acolhimento.

“Pensei nesses detalhes para trazer ao refugiado sírio, por exemplo, um sentimento de familiaridade. Dessa forma, pode ser que ele sinta menos medo da mudança e acredite que logo conseguirá reconstruir sua vida”, explicou. Agora, com o diploma em mãos, o próximo plano de Lucia é concretizar esse projeto que sonha chamar de “Centro Jouri”, em referência à jouri, uma flor que os sírios costumam plantar no pátio de suas casas.

Atualmente, ela está trabalhando em outro projeto chamado “Yasmin”, uma iniciativa que tem o objetivo de disseminar a cultura e a comida síria no Brasil. Nas horas vagas, canta na banda “Alma Síria”, da qual seu marido, que também é arquiteto, faz parte.

Para Lucia, o acolhimento de pessoas refugiadas pode contribuir de forma positiva para a comunidade local. “Muitos refugiados são profissionais qualificados para ingressar no mercado de trabalho e podem contribuir com seu conhecimento para melhorar o país”, afirmou. Além disso, ela pensa que o intercâmbio cultural entre nacionais e estrangeiros é muito enriquecedor e deveria ser mais estimulado por meio da oferta de mais oportunidades.

Deixar a Síria não foi uma decisão fácil. Contudo, a vontade de viver e de seguir com seus sonhos foi o que deu forças para se mover à frente. “Para mudar, você tem que acreditar que é capaz. Deixar tudo para trás foi muito difícil, mas naquele momento você entende que o valor da vida não é material, mas sim humano, é a nossa vida”, concluiu Lucia.


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