Refugiada síria recomeça vida na Jordânia com fabricação de sabão

“Minha história começa com 20 dinares (R$ 110) e uma lata de azeite”, diz Najwa, de 42 anos, descrevendo como um simples ato de bondade a ajudou a superar a tragédia pessoal e recuperar o controle de sua vida como refugiada síria na Jordânia.

Dessa pequena doação inicial, Najwa construiu um negócio de fabricação de sabão que fornece a ela e a outras quatro mulheres uma renda vital, e que recentemente começou a exportar suas primeiras encomendas para a China. Leia o relato completo feito pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

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“Minha história começa com 20 dinares (R$ 110) e uma lata de azeite”, diz Najwa, de 42 anos, descrevendo como um simples ato de bondade a ajudou a superar a tragédia pessoal e recuperar o controle de sua vida como refugiada síria na Jordânia.

Dessa pequena doação inicial, Najwa construiu um negócio de fabricação de sabão que fornece a ela e outras quatro mulheres uma renda vital, e que recentemente começou a exportar suas primeiras encomendas para a China.

As coisas eram muito diferentes para Najwa quando, em 2013, ela e sua família fugiram de sua cidade natal, Daraa, no sul da Síria, e chegaram pela primeira vez em Zarqa, uma extensa cidade a cerca de 25 quilômetros a nordeste da capital da Jordânia, Amã.

Em dezembro de 2011, durante os primeiros meses de um conflito que vai completar oito anos em 15 de março, seu filho de 16 anos, Mahmoud, foi baleado e morto nas ruas de sua cidade natal. Logo depois, sua casa foi destruída por bombardeios. Foi quando Najwa concluiu que não havia mais nada a fazer na Síria, e eles cruzaram a fronteira para a Jordânia.

Vivendo em uma cidade estranha e atormentada pela tristeza, Najwa lutou para cuidar de si mesma e de sua família, até que um dia ouviu falar sobre o Centro de Vida de Zarq, que oferece apoio psicossocial a mulheres jordanianas e sírias em situação de vulnerabilidade que moram na cidade.

A diretora do centro, Gertrud Khouri, conhecida como Trudy, é uma ex-enfermeira alemã que chegou à Jordânia há algumas décadas, depois de se candidatar a um emprego em um hospital local, antes de conhecer seu marido e se estabelecer no país.

Depois do início do conflito, refugiados sírios começaram a se estabelecer em Zarqa, muitos deles mulheres sozinhas ou vulneráveis, e Trudy, de 75 anos, estava determinada a ajudar. “Eu vi que essas mulheres precisavam de apoio. Se as mulheres desmoronarem, toda a família desmorona”, explicou ela.

A Jordânia abriga atualmente mais de 670 mil refugiados sírios registrados, e mais da metade são mulheres. Nos últimos anos, o governo da Jordânia adotou medidas importantes para melhorar o acesso de refugiados sírios ao mercado de trabalho.

O Ministério do Trabalho do país emitiu mais de 120 mil autorizações de trabalho para refugiados sírios entre 2016 e 2018, nos setores de construção, agricultura, manufatura e processamento de alimentos.

Além disso, em novembro de 2018, o ministério permitiu que os refugiados sírios na Jordânia estabelecessem seus próprios negócios domiciliares, no processamento de alimento, alfaiataria e artesanato.

Ainda que o ACNUR comemore essas decisões, que fortalecem os refugiados sírios, as oportunidades permanecem limitadas para muitos, especialmente para as mulheres.

Najwa tinha apenas começado a fazer sabonete de glicerina quando conheceu Trudy, que viu seu potencial e a encorajou a tentar produzir sabão usando óleo orgânico dos antigos olivais da Jordânia, doando os recursos que ela precisava para começar.

Najwa começou a vender seu sabonete no centro e em bazares locais, eventualmente expandindo para instalações dedicadas e empregando duas mulheres sírias e duas jordanianas. Ela também recebeu financiamento de uma ONG holandesa chamada ZOA para ensinar outras mulheres refugiadas e locais a fazer sabão.

“Sinto que esta é uma verdadeira conquista e um milagre”, diz Najwa, repleta de uma confiança recém-descoberta. “Agora temos mulheres que estão melhorando seu futuro e ajudando suas famílias, enquanto também desenvolvem suas personalidades”.

Para Najwa, ser capaz de começar seu próprio negócio aumentou sua independência financeira, assim como a das duas refugiadas sírias que ela emprega, tornando-as menos dependentes de ajuda.

Seu negócio também beneficiou a comunidade jordaniana, oferecendo oportunidades de emprego para mulheres locais e assegurando que a presença de Najwa e de outros refugiados sírios estimulasse o desenvolvimento econômico.

Desde que se conheceram, Najwa desenvolveu um relacionamento próximo com Trudy, que se maravilha com a transformação que viu em sua amiga síria. “Quando conheci Najwa, vi uma mulher desesperada”, diz ela. “Agora, vejo uma pessoa muito confiante que realmente ajuda outras mulheres, não apenas ensinando-lhes algo, mas também apoiando-as emocional e psicologicamente”.

Por sua vez, Najwa sempre agradece a Trudy por sua bondade e por tê-la ajudado durante um período em sua vida. “Nos conhecemos em um momento difícil, mas ela me ofereceu segurança e amor, e uma nova vida”, diz ela. “Eu me vejo como uma mulher forte. Passei por tempos difíceis, mas fui mais forte que essas dificuldades”.


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