Redução da pobreza e da indigência desacelera na América Latina, mostra CEPAL

Panorama Social é lançado no Chile e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe propõe mudança estrutural na economias dos países para que cresçam de forma sustentada e com maior igualdade.

Favela do Mandela, Rio de Janeiro. Foto: Vladimir Platonow/ABr

Favela do Mandela, Rio de Janeiro. Foto: Vladimir Platonow/ABr

O número de latino-americanos em situação de pobreza em 2013 atinge 164 milhões de pessoas (27,9% da população), das quais 68 milhões encontram-se na extrema pobreza ou indigência (11,5% dos habitantes da região), segundo projeções apresentadas nesta quinta-feira (5) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Ainda que tenha sido registrada uma queda nas taxas de pobreza e de indigência na região em 2012 (de 1,4 e 0,3 pontos percentuais, respectivamente, em relação a 2011), moderou-se o ritmo com que estas vinham se reduzindo há uma década, indica o relatório Panorama Social da América Latina 2013, apresentado em Santiago do Chile.

Seis dos 11 países com informação disponível em 2012 registraram redução em seus níveis de pobreza em relação a 2011. No Brasil, a taxa caiu de 20,9% para 18,6%; na Venezuela, passou de 29,5 % para 23,9%; enquanto no Equador de 35,3% para 32,2%; no Peru, de 27,8% para 25,8%; na Argentina, de 5,7% para 4,3% e na Colômbia, de 34,2% para 32,9% dos habitantes. Na Costa Rica, em El Salvador, no Uruguai e na República Dominicana, os valores mantiveram-se constantes em comparação a 2011, enquanto no México a pobreza aumentou levemente, de 36,3% para 37,1%.

Esses resultados estão estreitamente relacionados com o desempenho macroeconômico da região, afirma o documento. O aumento da indigência, especificamente, tem sido causado pelo incremento do custo dos alimentos acima da inflação geral.

“Desde 2002 a pobreza na América Latina caiu 15,7% e a indigência 8%, embora as estatísticas recentes mostrem uma desaceleração. O único número aceitável de pessoas vivendo na pobreza é zero. Por isso, propomos aos países realizar uma mudança estrutural em suas economías, para crescer de forma sustentada com maior igualdade”, afirmou a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.