Recomendações econômicas da ONU mostram-se exatas e aplicáveis ao desenvolvimento, diz relatório

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Análises econômicas feitas pelas Nações Unidas nos últimos 70 anos mostraram-se precisas e úteis para ajudar países a enfrentar a atual situação econômica mundial e implementar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), concluiu novo relatório da Organização.

Publicado pela primeira vez em janeiro de 1948, após a Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa Econômica e Social Mundial (‘World Economic and Social Survey’) é o mais antigo relatório econômico e social anual do tipo e promove uma ampla compreensão do conceito de desenvolvimento.

Porto de Tema, em Gana. Foto: Banco Mundial/Jonathan Ernst

Porto de Tema, em Gana. Foto: Banco Mundial/Jonathan Ernst

Análises econômicas feitas pelas Nações Unidas nos últimos 70 anos mostraram-se precisas e úteis para ajudar países a enfrentar a atual situação econômica mundial e implementar os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), concluiu novo relatório da Organização.

Publicado pela primeira vez em janeiro de 1948, após a Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa Econômica e Social Mundial (World Economic and Social Survey) é o mais antigo relatório econômico e social anual do tipo e promove uma ampla compreensão do conceito de desenvolvimento.

“A pesquisa deste ano analisa 70 anos dessa publicação e traz lições para a busca pelo desenvolvimento sustentável no futuro”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, no prefácio do relatório.

Os países buscaram diferentes caminhos de desenvolvimento durante esse período, que testemunhou o crescimento mais rápido da produção global e do comércio do que em qualquer outro da história da humanidade. As nações atingiram uma variedade de resultados, do cenário desolador ao milagre econômico.

A análise, lançada pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, conclui que os conselhos de impulso ao livre comércio e ao desenvolvimento feitos pela pesquisa nos últimos 70 anos mostraram-se precisos e previdentes, e devem continuar a apoiar os países em sua busca pela implementação dos ODS.

“Apesar de mudanças significativas no desenvolvimento global ao longo dos anos, muitos paralelos podem ser traçados entre os atuais desafios enfrentados pela comunidade internacional e aqueles que o mundo confrontou no passado”, disse Guterres, completando que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é um “imperativo moral e econômico – e uma oportunidade extraordinária”.

A análise concluiu que já no início da década de 1950, a pesquisa já era uma das pioneiras em defender o desenvolvimento não apenas para a expansão da produção, mas como um processo de mudanças estruturais e institucionais de larga escala para a promoção de altos padrões de vida, pleno emprego e progresso social.

A pesquisa defendeu a importância da coordenação internacional, ao afirmar que a ação de um governo pode interferir no equilíbrio de outros países na ausência de uma coordenação efetiva.

Na década de 1960, a pesquisa contribuiu para compor a base analítica para a criação da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), proporcionando um fórum para os países em desenvolvimento avançarem com sua inserção no comércio global e no apoio à industrialização.

Durante a década de 1980, a pesquisa adiantou-se ao suscitar preocupações antes da crise da dívida nos países em desenvolvimento, alertando para os altos déficits fiscais e comerciais desses países e suas implicações para o crescimento e progresso social a longo prazo. Na época, as principais instituições financeiras internacionais estavam concentradas em colocar as economias em equilíbrio com pouca consideração nas consequências sociais.

A pesquisa também criticou a abordagem “one-size-fits-all” adotada pelos programas de ajuste fiscal durante a crise da dívida, que reduziram significativamente o espaço para as políticas nacionais e contribuíram para a perda de “uma década de desenvolvimento” na América Latina e na África.

Esta crítica apoiou países no desenho de estratégias específicas de desenvolvimento durante os anos 1990. A pesquisa prudentemente alertou contra fatores que levariam à crise financeira no fim dos anos 2000.

A pesquisa deste ano também argumenta que o progresso no desenvolvimento requer um crescimento econômico global robusto, uma expansão sólida do comércio e um acesso constante aos recursos financeiros para o desenvolvimento.

Argumenta ainda que, para o cumprimento dos ODS, é necessária uma coordenação internacional maior e mais profunda em áreas políticas fundamentais, como fiscais, monetárias e comerciais, mas tais desafios não são insuperáveis.


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