‘República Democrática do Congo é o lugar mais perigoso do mundo para ser mulher’, diz Ban Ki-moon

Violações em massa e outras formas de violência sexual continuam a ser usadas como armas de guerra, afirmou o Secretário-Geral.

(ONU/E. Debebe)Sublinhando a necessidade de acabar com o sofrimento causado pela crise no leste da República Democrática do Congo (RDC), hoje (27) o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu durante reunião de alto nível sobre a situação no Leste da RDC, convocada paralelamente ao Debate Geral da 67ª Assembleia Geral, uma resolução urgente e pacífica baseada no diálogo. O Leste da RDC tem sido chamado de “o lugar mais perigoso do mundo para ser uma mulher”, observou.

O Leste da RDC – particularmente suas províncias de Kivu Norte e Kivu do Sul – tem sido assolado pela violência nos últimos meses, especialmente por um grupo chamado M23 – composto de soldados renegados do exército nacional do país.

“Estou profundamente perturbado por relatórios em que temos confirmado graves violações dos direitos humanos pelo M23, incluindo o recrutamento forçado de centenas de crianças que estão sendo usadas como combatentes e escravos sexuais e, em alguns casos, assassinadas. Estas atrocidades devem ser interrompidas”, disse o Secretário-Geral. “Todos os autores de violações dos direitos humanos devem ser levados à justiça”.

A violência também levou Ban a considerar a situação humanitária como alarmante, marcada por assassinatos, estupros e pilhagem. Violações em massa e outras formas de violência sexual continuam a ser usados como armas de guerra.

“Não há solução militar para esta crise. Devemos considerar opções concretas para trazer uma solução pacífica que seja baseada no reforço do diálogo, aprofundamento da integração regional e na construção de confiança”, disse Ban.

“Os atores regionais e subregionais mais afetados estão na melhor posição para ajudar a responder a isso”, ele disse na reunião, que incluía os Presidentes da República Democrática do Congo, Ruanda e Zâmbia, bem como representantes da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), da União Africana (UA), da Comunidade de Desenvolvimento Sul Africana (SADC) e da União Europeia.