RD Congo registra novos casos de ebola em pior surto da história

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que dados de 26 de março indicam um total de 1.029 infecções confirmadas e possíveis, além de 642 mortes. Números tornam esse o pior surto da doença na história do país africano. Quase dois terços (62%) dos infectados com o ebola morrem, segundo as estatísticas do governo.

Equipes da OMS chegam a Komanda, na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Foto: OMS/Lindsay Mackenzie

Equipes da OMS chegam a Komanda, na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Foto: OMS/Lindsay Mackenzie

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou na sexta-feira (29) que a República Democrática do Congo registrou novos casos de ebola nas últimas semanas, apesar de progressos para acessar comunidades que têm sido cautelosas com ajuda externa. Dados de 26 de março indicam um total de 1.029 infecções confirmadas e possíveis, além de 642 mortes. Números tornam esse o pior surto da doença na história do país africano.

Mais de 320 pacientes se recuperaram e foram liberados de centros de tratamento, de acordo com o Ministério da Saúde da RD Congo. Quase dois terços (62%) dos infectados com o ebola morrem, segundo as estatísticas do governo. A pasta explica que 125 novos casos da infecção foram relatados em 51 áreas da saúde nas províncias de Kivu do Norte e Ituri na semana retrasada.

Do total de 1.029 casos, 57% (584) foram registrados em mulheres e 30% (307), em crianças. O número de agentes de saúde afetados subiu para 78 (8% dos casos totais), incluindo 27 mortes.

A maior parte dos pacientes é de locais conhecidos do vírus, como Katwa (36 casos) e Butembo (14). Mas episódios da doença também foram identificados em três pontos emergentes em Mandima (19), Masereka (18) e Vuhovi (17).

Todos os novos casos estavam relacionados a cadeias conhecidas de transmissão, o que, segundo a OMS, indica que o monitoramento do contato, a vacinação e o isolamento de pessoas para o tratamento estão funcionando.

Violência contra centros de saúde

Também na sexta-feira, a OMS disse que nenhum grande incidente de segurança foi relatado nos últimos dez dias. A agência, porém, alertou que a situação geral ainda é frágil. Diversos ataques recentes de grupos armados tiveram por alvo centros de tratamento do ebola.

De acordo com a agência da ONU, ofensivas contra clínicas em Katwa e Butembo “representaram os primeiros ataques organizados e de larga escala mirando diretamente a resposta ao ebola”.

Em sua mais recente avaliação de risco do surto, o organismo das Nações Unidas concluiu que níveis nacionais e regionais de risco ainda são “muito altos”, mas o risco global permanece baixo.

A OMS enfatizou que esforços para encorajar comunidades a se engajarem na resposta ao ebola têm sido bem-sucedidos.

Progressos estão sendo feitos em Mandima, Masereka e Vuhovi, onde equipes de ajuda retomaram o acesso a zonas de atuação, apesar de violência esporádica de grupos armados e da desconfiança em algumas comunidades afetadas. Em Butembo e Katwa, mais de 4 mil domicílios foram visitados na semana passada por voluntários comunitários de saúde e da Cruz Vermelha.

Nove comitês comunitários também foram montados para estimular uma melhor comunicação entre agentes da saúde e a população local, afirmou a OMS. Grupos de discussão foram convocados em comunidades onde a resposta ao ebola se mostrou mais desafiadora, com a participação de líderes jovens, associações de mulheres, médicos e agentes de saúde.