RD Congo: ONU condena decisão do governo congolês de expulsar enviado das Nações Unidas

O governo alegou que o diretor do Escritório para os Direitos Humanos no país é uma “persona non grata” após divulgação do relatório da ONU sobre violações das Forças de Segurança da República Democrática do Congo.

Patrulha conjunta do exército congolês e das Forças de Paz da ONU no norte de Kivu, na República Democrática do Congo (RDC). Foto: MONUSCO/Clara Padovan

Patrulha conjunta do exército congolês e das Forças de Paz da ONU no norte de Kivu, na República Democrática do Congo (RDC). Foto: MONUSCO/Clara Padovan

O chefe da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse neste domingo (19) que “lamenta e condena” a decisão do governo da República Democrática do Congo (RDC) exigindo que o diretor do Escritório Conjunto da ONU para os Direitos Humanos no RD Congo, Scott Campbell, deixe o país em 48 horas, alegando ser uma “persona non grata.”

“Isso é inaceitável”, declarou Zeid em um comunicado à imprensa. “Com esses atos de intimidação e represálias, as autoridades congolesas arriscam atrasar anos de árduos esforços por parte do pessoal de direitos humanos da ONU e de alguns setores das autoridades congolesas para ajudar as vítimas de violações dos direitos humanos e reforçar o Estado de Direito”, acrescentou.

A decisão foi divulgada pelo Ministério do Interior do país na última quinta-feira (16), um dia após o lançamento do relatório da ONU que detalha as graves violações dos direitos humanos por parte da Polícia Nacional Congolesa, pelo qual o Ministério é responsável, que incluem execuções sumárias e extrajudiciais e desaparecimentos forçados de civis. A decisão foi oficialmente confirmada na sexta-feira (17) pelo Ministério dos Relações Exteriores.

Na ocasião, a ONU instou o governo da RDC a reconsiderar a sua decisão contra o diretor da Organização; investigar as contínuas intimidações e ameaças contra outros funcionários de direitos humanos da ONU; e levar os responsáveis pelas violações à justiça ao invés de tentar punir o funcionário das Nações Unidas. 

Segundo o Escritório de Direitos Humanos, Campbell deixou o RDC na sexta-feira (17) para desfrutar de férias planejadas.

Missão de Paz na RDC condena ataques de grupos armados ilegais

 Chefe da MONUSCO, Martin Kobler, confortando um residente de Beni que teve parentes mortos durante os recentes ataques dos rebeldes da FDA. Foto: Flickr/MONUSCO

 Chefe da MONUSCO, Martin Kobler, confortando um residente de Beni que teve parentes mortos durante os recentes ataques dos rebeldes da FDA. Foto: Flickr/MONUSCO

Enquanto isso, perto da cidade de Beni, no leste do país, um segundo ataque mortal em 48 horas levou o chefe da Missão da ONU de Estabilização no país (MONUSCO), Martin Kobler, a condenar fortemente os atos atrozes de violência, mortes, assassinatos e violações dos direitos humanos das Forças Democráticas Aliadas (FDA), que já causou a morte de mais de 20 pessoas. 

Kobler convocou o exército congolês e as Forças de Paz da MONUSCO a tomarem “ações militares decisivas e conjuntas” para aliviar a população contra o terror imposto pelos grupos armados ilegais, incluindo as FDA, de uma vez por todas. Na ocasião, o comandante da MONUSCO reforçou a determinação completa e inabalável da tropa para neutralizar todos os grupos armados ilegais no leste da RDC.