RD Congo: ONU aumenta força de ataque no leste após massacre de civis

No fim de semana, missão de paz da ONU encontrou 21 corpos de civis brutalmente assassinados – incluindo bebês, crianças e mulheres, alguns mutilados, outros estuprados. “Estas atrocidades não ficarão impunes e os criminosos não terão descanso”, disse o representante das Nações Unidas.

Tropas da missão da ONU perto de Kibumba, em Kivu do Norte, ao longo da estrada que liga Goma e Rutshuru, na República Democrática do Congo (RDC). Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

Tropas da missão da ONU perto de Kibumba, em Kivu do Norte, ao longo da estrada que liga Goma e Rutshuru, na República Democrática do Congo (RDC). Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

A missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (RDC) enviou helicópteros de ataque tripulados e patrulhas a pé para a província de Kivu do Norte, região dilacerada por conflitos, depois que a ONU encontrou 21 corpos de civis brutalmente assassinados – incluindo bebês, crianças e mulheres, alguns mutilados, outros estuprados.

Tropas da Missão das Nações Unidas de Estabilização na RDC (MONUSCO) encontraram os corpos na sexta-feira (13) e sábado (14) na vila Musuku, área de Rwenzori do setor Beni.

Os assassinos ainda não foram identificados, mas informações não confirmadas e aldeões interrogados na área suspeitam fortemente do Exército Nacional de Libertação de Uganda (NALU) e das Forças Democráticas Aliadas (ADF), dois dos vários grupos armados que aterrorizaram Kivu do Norte há anos.

“Estas atrocidades não ficarão impunes e os criminosos não terão descanso enquanto eles não forem responsabilizados por suas ações perante a lei”, disse nesta segunda-feira (16) o representante especial do secretário-geral da ONU na RDC, Martin Kobler, em um comunicado condenando os assassinatos nos termos mais veementes.

As vítimas foram mortas com facões ou facas, e o mais novo entre os mortos tinha apenas alguns meses de idade, enquanto três meninas teriam sido estupradas antes de serem decapitadas, disse a MONUSCO, ressaltando que os helicópteros de ataque e patrulhas a pé têm como objetivo tomar o controle da área e evitar uma maior deterioração da segurança para a população civil.

“A MONUSCO lembra a todos os grupos armados que o assassinato de civis, que não são parte do conflito, é considerado um crime contra a humanidade”, a missão acrescentou.

Outro movimento armado no leste da RDC, o grupo rebelde M23, assinou recentemente um acordo com o governo da RDC depois de repetidos confrontos com o exército apoiado por uma força de intervenção da MONUSCO.

As forças de paz da ONU estão agora mudando seu foco para outros grupos em Kivu do Norte, incluindo o Mayi Mayi e as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), bem como NALU e ADF.

Intensos combates continuam no leste, mesmo depois de várias missões de paz da ONU terem ajudado a trazer estabilidade em relação a outras áreas do vasto país. A guerra civil foi oficialmente de 1996 a 2003 e, nesse período, mais de 4 milhões de pessoas teriam morrido, principalmente em decorrência da fome e por doenças.