RD Congo deposita esperanças em novo acordo de paz para a região, afirma funcionária da ONU

República Democrática do Congo, cujo conflito já deixou mais de 2,6 milhões de pessoas deslocadas, recebe visita da secretária-geral assistente da ONU, que quer manter a atenção global no conturbado país.

Vice-chefe do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários visita um acampamento próximo a Goma, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. Foto: OCHA/Imane Cherif

Vice-chefe do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários visita um acampamento próximo a Goma, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo. Foto: OCHA/Imane Cherif

A República Democrática do Congo (RDC) demonstra otimismo em relação ao recente acordo de paz para a região, disse uma funcionária das Nações Unidas nesta terça-feira (4), após sua visita ao país para manter a atenção global na complexa e prolongada emergência humanitária no país africano.

Kyung-wha Kang, secretária-geral assistente e vice-chefe do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, visitou o país logo após os novos combates no Kivu do Norte. Ela afirmou estar impressionada com os esforços humanitários para fornecer assistência urgente às pessoas em necessidade, que incluem 2,6 milhões de pessoas deslocadas em todo o país. Kang disse ainda que existe o sentimento de otimismo na região em torno do acordo de paz.

Ela advertiu que, apesar dos esforços, muitos permanecem em situações críticas, fora do alcance da ajuda humanitária, devido à falta de segurança e de recursos. O Plano de Ação Humanitária de 892 milhões de dólares – lançado em 2013 por parceiros humanitários e pelo governo para fornecer ajuda para milhões de pessoas afetadas pela insegurança alimentar, conflitos e doenças – só está financiado em 37%, cerca de 333 milhões dólares.

Kang afirmou que o financiamento é uma grande preocupação já que, no ritmo atual, só há comida suficiente para mais cinco ou seis meses.

No Kivu do Sul, Kang falou no Hospital Panzi, em Bukavu, para mulheres e meninas que sofreram estupro e outras violências sexuais. Citando o médico diretor, Kang disse que o hospital trata cerca de 300 sobreviventes de estupro a cada mês, um aumento nos números que procuram tratamento desde 2012.

A representante especial do secretário-geral da ONU sobre violência sexual em conflito, Zainab Bangura, disse que o mundo estava começando a perceber que, sem a participação ativa de 50% da população, não pode haver paz ou a busca ativa por uma agenda mais ampla de desenvolvimento.

“As mulheres trazem experiências, ideias e pontos de vista que não podemos ignorar se queremos curar as feridas do passado e garantir a justiça”, disse ela. “Se aceitarmos como fato que as mulheres – de chefes de Estado a avós – têm um papel fundamental na reconstrução das comunidades pós-guerra, nós podemos fazer um progresso real para construir o futuro que queremos para a RDC e para os Grandes Lagos”, acrescentou Bangura.