RD Congo: Chefe de direitos humanos da ONU diz ‘faltar vontade’ do governo em proteger população

Aos dez anos de idade, o menino Sukuru (foto) e sua família já estavam abrigados em Mugunga III, um campo para deslocados internos, quando a cidade Goma, leste da RDC, foi tomada em novembro de 2012. Meses antes a família precisou deixar sua casa no território de Masisi, em Kivu do Norte, em busca de um lugar mais seguro. Foto: ACNUR/F. Noy (outubro de 2012)

Da Rádio ONU em Nova York.

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Após a ONU ter divulgado um relatório esta semana sobre 200 casos de estupros contra meninas e mulheres na República Democrática do Congo (RDC), a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos voltou a afirmar que a situação é “chocante”.

Navi Pillay concedeu na sexta-feira (10) uma entrevista exclusiva à Rádio ONU, em Nova York, e destacou existir iniciativas para julgar os perpetradores dos atos.

No entanto, a alta comissária lamenta a falta de ação do Governo congolês para tratar a situação, que segundo ela “tomou proporções enormes”.

Para Navi Pillay, “falta vontade da parte do Governo em proteger seu próprio povo contra este tipo de violência sexual. A alta comissária disse que as autoridades da RD Congo precisam agir agora, porque “cada criança violada, cada homem ou mulher estuprada é uma vida perdida, porque suas vidas ficam arruinadas”.

Segundo Pillay, as Nações Unidas estão prontas para ajudar o governo da RD Congo. Ela afirma que após ter persuadido, apelado e oferecido assistência às autoridades do país, já resta pouco a ser feito.

O relatório divulgado esta quarta-feira (8) informa que tanto soldados das forças armadas como rebeldes do grupo M23 praticaram centenas de estupros nas províncias do Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Apresentação: Denise Costa, com reportagem de Donn Bobb, para o serviço em português da Rádio ONU.

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Na imagem
: aos dez anos de idade, o menino Sukuru (foto) e sua família já estavam abrigados em Mugunga III, um campo para deslocados internos, quando a cidade Goma, leste da RDC, foi tomada em novembro de 2012. Meses antes a família precisou deixar sua casa no território de Masisi, em Kivu do Norte, em busca de um lugar mais seguro. Foto: ACNUR/F. Noy (outubro de 2012)

Depois de terem passado por consecutivos deslocamentos, estão relativamente seguros em Mugunga III, apesar de ainda precisarem de assistência. Sua jornada e sofrimento são semelhantes aos vividos por tantos outros no campo: na urgência de deixar a vila onde moravam, Sukuru acabou sendo separado dos pais por alguns dias. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) acompanhou o dia-a-dia da família em Mugunga III. Apesar dos percalços, Sukuru continua confiante no futuro. Todas as fotos em http://bit.ly/17UyBm7