Queda dos preços não impede crescimento da demanda e da produção de urânio, diz agência da ONU

Desde 2012, quando foi divulgado o último relatório, a capacidade de suprimento da base de recursos de urânio cresceu em dez anos, o que significa um acréscimo de 7% das fontes já existentes.

Desde 2012, quando foi divulgado o último relatório, a capacidade de suprimento da base de recursos de urânio cresceu em dez anos, o que significa um acréscimo de 7% das fontes já existentes.

O urânio é processado em barris especiais de aço hermeticamente fechados. Foto: AIEA

O urânio é processado em barris especiais de aço hermeticamente fechados. Foto: AIEA

O relatório publicado nesta quarta-feira (10) pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), agência especializada das Nações Unidas, indica que a demanda por urânio vai continuar a aumentar, apesar da contínua queda dos preços de mercado – desde o acidente nuclear em Fukushima em março de 2011 – e da crise econômica global, que resultou no declínio da demanda de energia.

Matéria-prima utilizada no abastecimento de estações nucleares, o urânio teve aumento em seus níveis de suprimento, exploração e produção. O grande contribuidor para o crescimento produtivo foi o Cazaquistão, seguido por Austrália, Brasil, China, Malauí, Namíbia, Níger, Ucrânia e Estados Unidos.

As informações são do ‘Red Book’ – relatório de referência global produzido pela AIEA em conjunto com a Agência Nuclear de Energia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (NEA/OECD). O objetivo do documento é levantar questões sobre as fontes, a exploração, a produção e as condições relativas aos reatores de urânio, bem como oferecer informações atualizadas e projeções sobre o tema para 2035.

Desde 2012, quando foi divulgado o último relatório, a capacidade de suprimento da base de recursos de urânio cresceu em dez anos, o que significa um acréscimo de 7% das fontes já existentes. O principal motivo para essa elevação é o aumento de 23% na exploração do material e no desenvolvimento da atividade de mineração, que totalizaram 1,92 bilhão de dólares em 2012.

A forte e contínua procura pelo recurso gerou planos de operações mineradoras seguras e bem regulamentadas em novos países – como Botsuana, Tanzânia e Zâmbia –, com objetivo de minimizar impactos ambientais e sociais.

As projeções das demanda de urânio variam de acordo com a região. O leste da Ásia e países europeus não membros da União Europeia se destacam nas expectativas de desenvolvimento da sua capacidade nuclear.

O ‘Red Book’ indica que a capacidade de geração de energia nuclear global deve aumentar entre 7 e 82% até 2035. As expectativas estão de acordo com as mais recentes previsões da AIEA de crescimento entre 8 e 88% até 2030.