Quatro escolas ou hospitais são atacados ou ocupados por dia em zonas de crise, alerta UNICEF

“Os ataques contra escolas e hospitais durante conflitos são uma tendência alarmante e vergonhosa. Ataques diretos e intencionais a estas instalações, e contra profissionais de saúde e professores, podem ser considerados crimes de guerra”, disse uma representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

No Sudão do Sul, Chubat (à direita), 12, senta-se com sua amiga nas ruínas queimadas de uma escola primária apoiada pelo UNICEF em Malakal. O local, que também serve de proteção a civis, foi incendiada durante um combate em fevereiro de 2016. Foto: UNICEF/UN018992/George

No Sudão do Sul, Chubat (à direita), 12, senta-se com sua amiga nas ruínas queimadas de uma escola primária apoiada pelo UNICEF em Malakal. O local, que também serve de proteção a civis, foi incendiada durante um combate em fevereiro de 2016. Foto: UNICEF/UN018992/George

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou uma análise alarmante: uma média de quatro escolas ou hospitais são atacados ou ocupados por forças e grupos armados por dia.

As conclusões estão no mais recente relatório anual da representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados e foram divulgadas neste mês de maio, na sequência de novos ataques a instalações de saúde e educação.

Incidentes em maio incluíram bombardeios a escolas no Iêmen e um ataque a um hospital em Alepo, Síria, no dia 27 de abril – este último deixando pelo menos 50 pessoas mortas, incluindo um dos últimos pediatras atuando na região.

“As crianças estão sendo mortas, feridas e mutiladas nos mesmos locais onde deveriam se sentir seguras e protegidas”, disse Afshan Khan, diretora de Programas de Emergência do UNICEF, em um comunicado de imprensa.

“Os ataques contra escolas e hospitais durante conflitos são uma tendência alarmante e vergonhosa. Ataques diretos e intencionais a estas instalações, e contra profissionais de saúde e professores, podem ser considerados crimes de guerra. Governos e outros atores precisam urgentemente proteger escolas e hospitais, defendendo as disposições do direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos, e os Estados devem assinar a Declaração sobre Escolas Seguras”, acrescentou.

O UNICEF destacou que os ataques contra escolas e hospitais são uma das seis violações graves contra crianças identificadas pelo Conselho de Segurança da ONU. O último relatório da representante especial das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados documentou mais de 1,5 mil incidentes de agressões ou uso militar de escolas e hospitais em 2014, lembrou a agência da ONU.

No Afeganistão, por exemplo, 163 escolas e 38 unidades de saúde foram atacadas, enquanto na Síria foram registrados 60 ataques a estabelecimentos de educação, além de nove casos de uso militar de escolas e 28 ataques a instalações de saúde.

No Iêmen, 92 escolas foram utilizados para fins militares por forças e grupos armados, enquanto no Sudão do Sul foram sete casos de ataques a escolas e 60 envolvendo o uso militar.

Um total de 543 estabelecimentos de ensino foram danificados ou destruídos no Estado da Palestina e três ataques foram documentados em escolas israelenses. De acordo com as autoridades de educação no Nordeste da Nigéria, um total de 338 escolas foram destruídas e/ou danificadas entre 2012 e 2014.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.