Quase 350 mil pessoas se arriscaram em travessias marítimas em 2014, alerta ACNUR

Encontro em Genebra discute políticas centradas em migrantes e refugiados que optam por viagens clandestinas pelo mar para buscar melhores oportunidades econômicas, ou fugir de conflitos e perseguições.

Resgate de migrantes náufragos provenientes da Nigéria, Paquistão, Síria, Sudão, Etiópia e Malásia na costa da Itália. Foto: ACNUR/D'Amato

Resgate de migrantes náufragos provenientes da Nigéria, Paquistão, Síria, Sudão, Etiópia e Malásia na costa da Itália. Foto: ACNUR/D’Amato

Com o tema “Proteção no Mar”, o encontro “Diálogos do Alto Comissário”, em Genebra, discute desde a última quarta-feira (10) políticas centradas em migrantes e refugiados que arriscam a vida em travessias marítimas perigosas. Na ocasião, o chefe da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), António Guterrez, alertou que a comunidade internacional está negando cada vez mais, o acesso de estrangeiros e perdendo o foco no salvamento das vidas desses náufragos.

“Isso é um erro exatamente em um momento em que um número recorde de pessoas está fugindo de conflitos”, disse Guterres. “A segurança e a gestão de imigração são preocupações para qualquer país, mas as políticas devem ser desenhadas de uma forma que a vida humana não termine se transformando em um dano colateral.”

Ao menos 348 mil pessoas empreenderam jornadas pelo mar em 2014 em busca de melhores oportunidades de vida, de acordo com estimativas de autoridades costeiras e dados coletados pela ONU. Apesar de, historicamente, a principal motivação ser a migração, o número de solicitantes de refúgio aumentou em 2014.

Os conflitos na Líbia, Ucrânia, Síria e Iraque contribuíram para que 207 mil pessoas cruzassem o Mediterrâneo durante este ano para alcançar solo europeu, enquanto um grande fluxo de pessoas usaram três outras principais rotas para deixar seus países. Pelo Golfo de Áden e o Mar Vermelho, 82 mil pessoas deixaram a Etiópia e Somália para os países da península arábica. No sudeste da Ásia, estima-se que 54 mil pessoas partiram de Bangladesh e Myanmar para a Tailândia, Malásia e Indonésia. E no Caribe, outras 5 mil pessoas usam as embarcações para escapar da pobreza e pedir asilo em países vizinhos.

Além das dificuldades da travessia, muitos migrantes terminam sucumbindo às redes de tráficos de pessoas, coordenadas pelo crime organizado internacional. Por isso, o alto comissário lançou um alerta aos países receptores de que barrar a entrada dos migrantes não é a solução. Para contornar essa situação, o foco deve ser posto na origem das causas dessa fuga massiva, no combate às redes criminais e na proteção das vítimas.

A edição de 2014 dos “Diálogos do Alto Comissário” termina nesta sexta-feira (12). Participam representantes de governos, organizações não-governamentais, guardas costeiras, acadêmicos, além de chefes e representantes de organizações internacionais parceiras, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM), Organização Marítima Internacional (OMI), Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e Escritório do Alto Comissariado para Direitos Humanos  (ACNUDH).