Quase 16 milhões de latino-americanos e caribenhos não têm acesso a banheiros

Um total de 15,5 milhões de pessoas se veem forçadas a defecar a céu aberto na América Latina e no Caribe, uma prática que pode poluir o meio ambiente e espalhar doenças, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) na terça-feira (19), Dia Mundial do Banheiro.

Pessoas com renda mais baixa, grupos em situação de vulnerabilidade, populações rurais e povos indígenas são os mais afetados pelo saneamento deficiente.

Falta de saneamento contribui para disseminação de doenças. Foto: EBC

Falta de saneamento contribui para disseminação de doenças. Foto: EBC

Um total de 15,5 milhões de pessoas se veem forçadas a defecar a céu aberto na América Latina e no Caribe, uma prática que pode poluir o meio ambiente e espalhar doenças, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) na terça-feira (19), Dia Mundial do Banheiro.

De acordo com dados de 2017 (os mais recentes disponíveis), 74,3% da população da América Latina e 31,3% da do Caribe têm acesso a serviços de água e saneamento manejados de forma segura. Isso significa que 82,7 milhões de pessoas não têm acesso ao saneamento básico na região e destes, 15,5 milhões (18,8%) continuam defecando ao ar livre.

“Defecar ao ar livre é uma prática nociva para a saúde”, afirmou Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais de Saúde da OPAS. “Melhorar o acesso à água e ao saneamento por meio de políticas e ações multissetoriais é fundamental para prevenir doenças e salvar vidas”, acrescentou.

O Dia Mundial do Banheiro é marcado anualmente em 19 de novembro como forma de aumentar a conscientização sobre a necessidade de se adotarem medidas para responder à falta de saneamento. Foi criado em 2001 pela Organização Mundial do Banheiro e é uma data oficial das Nações Unidas desde 2013. O tema deste ano é “Não deixar ninguém para trás”, que é o foco da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 6, buscam garantir água limpa e saneamento para todos, o que envolve o fim da defecação a céu aberto. Um saneamento precário leva à morte de 580 crianças por dia na região e causa várias doenças, como vermes intestinais, tracoma e esquistossomose.

Estima-se que a eliminação da defecação ao ar livre ajudaria a reduzir em 36% o número de óbitos de crianças menores de 5 anos por diarreia – a sexta maior causa de mortes nesse grupo na região.

Acesso inadequado ao saneamento

“A defecação a céu aberto na América Latina diminuiu desde 2000, mas ainda existem desigualdades no acesso ao saneamento”, disse Marcelo Korc, chefe da unidade de Mudanças Climáticas e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS.

Entre 2000 e 2017, a defecação a céu aberto foi reduzida em 75% nas cidades da região (de 3,2% para 0,8% da população). Nas áreas rurais, foi reduzida em 70% (de 29,9% para 8,9%). Pessoas com renda mais baixa, grupos em situação de vulnerabilidade, populações rurais e povos indígenas são os mais afetados pelo saneamento deficiente e, portanto, são os que mais defecam a céu aberto.

Bolívia, Brasil, Colômbia, Haiti, México, Peru e Venezuela são os países onde mais ocorre essa prática. O Haiti é o país da região com a maior porcentagem da população que defeca ao ar livre (20%) e com os níveis mais baixos de acesso a serviços básicos de água e saneamento da região (65,5% e 34,7%, respectivamente). Isso significa que muitos habitantes adoecem por causas relacionadas a essa prática, a exemplo da diarreia.

Recomendações para alcançar a eliminação

Para acabar com a defecação a céu aberto, a OPAS insta os países a colocar o saneamento como uma prioridade em suas agendas de desenvolvimento e a articular os esforços entre diferentes setores e programas, como água, saúde, educação e redução da pobreza.

A OPAS também considera fundamental que as comunidades estejam envolvidas, que sua cultura seja levada em consideração e que incentivos financeiros sejam proporcionados. Também é importante que as parcerias público-privadas para melhorar o saneamento sejam promovidas e ampliadas. “Todos os setores da sociedade devem fazer mais para garantir que o direito à saúde e ao saneamento seja uma realidade para todas as pessoas, em todos os lugares”, disse Korc.