Quando uma crise de segurança alimentar se transforma em epidemia de fome

Por muitos meses, as agências de ajuda das Nações Unidas têm alertado para uma crise iminente no Chifre da África. Agora, as condições são tão graves que as Nações Unidas recorreram a um termo usado com moderação, para casos específicos: epidemia de fome (em inglês, famine).

Quando uma crise de segurança alimentar se transforma em epidemia de fomePor muitos meses, as agências de ajuda das Nações Unidas têm alertado para uma crise iminente no Chifre da África, à medida que a seca, as colheitas e conflitos em algumas áreas levaram a uma crescente insegurança alimentar. Agora, as condições são tão graves que as Nações Unidas recorreram a um termo usado com moderação, para casos específicos: epidemia de fome (em inglês, famine).

Na quarta-feira (20/07), o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) declarou que a epidemia de fome atinge duas regiões do sul da Somália e advertiu que logo pode se espalhar para o resto do sul do país.

Enquanto muitos países do mundo enfrentam crises de segurança alimentar, com grande número de pessoas famintas e incapazes de obter alimento suficiente, raramente as condições atendem aos critérios formais da comunidade humanitária para designar uma epidemia de fome. A última vez que o termo foi utilizado na Somália, por exemplo, foi em 1991 e 1992, apesar de vários períodos de seca prolongada e outros problemas terem atingido o país nos anos seguintes.

A epidemia de fome pode ser declarada apenas quando certas medidas de desnutrição, mortalidade e fome são atendidas. São elas: pelo menos 20% das famílias em uma área enfrentando falta de alimentos extrema, com uma capacidade limitada de lidar com o problema; taxas de desnutrição aguda excedendo 30%; e a taxa de mortalidade superior a duas pessoas por dia para cada dez mil pessoas. Outros fatores considerados nessas áreas da Somália incluem deslocações em larga escala, a miséria generalizada, surtos de doenças e o colapso social.

Segurança alimentar

A definição foi desenvolvida através do trabalho da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC), que inclui especialistas de agências humanitárias, incluindo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), bem como organizações não governamentais (ONGs) de destaque e agências de ajuda do Governo.

A coleta de dados para determinar se são atingidos os critérios estão, neste caso, nas mãos da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição da Somália (FSNAU), apoiada pela ONU e administrada pela FAO. A FSNAU, em seguida, passa as informações para a ONU, as agências humanitárias e a Rede de Sistemas de Alerta Antecipados para Epidemias de Fome dos Estados Unidos (FEWS NET).

A declaração de uma epidemia de fome não traz obrigações vinculativas para as Nações Unidas ou os Estados-Membros, mas serve para dirigir a atenção global sobre o problema. De acordo com o PMA, a epidemia foi declarada anteriormente em áreas do sul do Sudão, em 2008; em Gode, na região somali da Etiópia, em 2000; na República Popular Democrática da Coreia (RPDC), em 1996; na Somália, em 1991 e 1992; e na Etiópia, em 1984 e 1985.

Somália: como ajudar

Doações podem ser feitas por meio do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, clicando aqui), do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, clicando aqui) – escolher Somália -, do Programa Mundial de Alimentos (PMA, clicando aqui) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, clicando aqui).