‘Quando nos unimos, não há limite para o que podemos alcançar’, diz Ban na Assembleia Geral da ONU

Em seu discurso na abertura do debate geral, o secretário-geral da ONU lembrou as crises humanitárias e afirmou que os líderes globais têm um compromisso de transformar as palavras descritas na Carta da ONU e na nova agenda de desenvolvimento em ação.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresenta seu relatório anual sobre o trabalho da Organização na abertura do debate geral da Assembleia. Foto: ONU/Cia Pak

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresenta seu relatório anual sobre o trabalho da Organização na abertura do debate geral da Assembleia. Foto: ONU/Cia Pak

Em um mundo onde a desigualdade cresce, a confiança está desaparecendo e a impaciência com as lideranças pode ser vista e sentida, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, abriu o 70ª debate geral da Assembleia Geral da ONU com um pedido para que os líderes mundiais “traduzam as promessas em ação”, apoiando a nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável, que pretende eliminar a pobreza e construir um futuro sustentável para todos.

“Nosso objetivo é claro. Nossa missão é possível. E nosso destino é visível: acabar com a extrema pobreza até 2030; uma vida de paz e dignidade para todos”, declarou, nesta segunda-feira (28), o secretário-geral, observando que a Assembleia Geral começou com “uma conquista gigantesca” representada pela adoção da Agenda 2030, que inclui os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Transformá-los em realidade é um compromisso e uma “dívida que a ONU tem com os mais vulneráveis, os oprimidos, as pessoas deslocadas e esquecidas em todo o mundo”, disse Ban. “Devemos isso as gerações vindouras”, em memória as palavras incluídas na Carta da ONU. “Quando nos unimos, não há limite para o que podemos alcançar”, adicionou.

“Neste ano em que marcamos o 70° aniversário da ONU, devemos responder ao pedido da Carta, e ouvir as vozes de ‘Nós os povos’. Essa é a maneira pela qual poderemos superar a realidade sombria do presente – e aproveitar as  incríveis oportunidades de nossa era”, declarou o chefe da ONU.

Citando o relatório anual de trabalho das Nações Unidas, Ban também lembrou a escalada das crises humanitárias mundiais, que registram hoje 100 milhões de pessoas dependentes de assistência humanitária e pelo menos 60 milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas e países. Para suprir essas necessidades, a ONU pediu este ano 20 bilhões de dólares – seis vezes mais que há uma década – para aliviar crises, principalmente, no Iraque, Sudão do Sul, Iêmen e Síria ou, em lugares esquecidos, como Gâmbia, onde uma em cada quatro crianças sofre de desnutrição crônica. Mas o apelo da ONU, disse o secretário-geral, “foi recebido com silêncio” pela comunidade internacional.

Leia o discurso do secretário-geral em português na íntegra aqui.