Protestos na Síria deixam mais de 3 mil mortos e ONU reforça pedido de ação internacional

Ao menos 187 crianças estão entre as vítimas. Para Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, país está à beira da guerra civil.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu hoje (14/10) que a comunidade internacional aja imediatamente para proteger vidas na Síria, onde mais de três mil pessoas foram mortas desde março, incluindo 187 crianças. Somente nos últimos dez dias, foram registradas mais de cem mortes.

“Desde o início da revolta na Síria, o governo tem consistentemente usado força excessiva para esmagar protestos pacíficos”, avalia Pillay. “Atiradores atuando nos telhados e uso indiscriminado da força contra manifestantes pacíficos – incluindo o uso de munição letal e o bombardeio de bairros residenciais – viraram ocorrências rotineiras em muitas cidades sírias.”

Milhares de pessoas foram presas, detidas, torturadas e desapareceram de maneira forçada, registra a Alta Comissária. “Familiares de manifestantes, dentro e fora do país, têm sido alvo de assédio, intimidação, ameaças e espancamentos. Como mais militares recusam a atacar civis e mudam de lado, a crise já mostra sinais preocupantes de que pode resultar em luta armada.”

Para Pillay, o governo sírio falhou na proteção de seu povo. “O ônus recai sobre todos os membros da comunidade internacional para tomar medidas de proteção de maneira coletiva e decisiva, antes de a repressão e os assassinatos contínuos e cruéis levarem o país a uma guerra civil.”

“A comunidade internacional deve falar com uma só voz e agir para proteger o povo sírio”, declara Pillay. Em agosto, a Alta Comissária chamou a atenção para as alegações críveis de crimes contra a humanidade na Síria e encorajou o Conselho de Segurança a referir a situação ao Tribunal Penal Internacional (TPI). A ação do Conselho sobre a Síria foi vetada no começo deste mês por China e Rússia.