Protestos e violência no Haiti geram pedido internacional de soluções duradoras à crise

Protestos liderados pela oposição no Haiti exigindo a renúncia do presidente, e que provocaram violência na semana passada, fizeram com que um grupo de diplomatas, incluindo o representante das Nações Unidas no país, emitisse um comunicado lamentando mortes e pedindo diálogo para encerrar a crise.

De acordo com a imprensa local, ao menos quatro pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas durante quatro dias de protestos na capital, Porto Príncipe, e em outras cidades no país.

Os manifestantes protestam diante da crise crise econômica que levou a forte queda do padrão de vida, inflação em torno de 15%, crescimento da dívida interna, além de acusações de corrupção contra o presidente Jovenel Moise, antes de ele assumir.

Vista aérea de Porto Príncipe, capital do Haiti. Foto: MINUJUSTH/Leonora Baumann

Vista aérea de Porto Príncipe, capital do Haiti. Foto: MINUJUSTH/Leonora Baumann

Protestos liderados pela oposição no Haiti exigindo a renúncia do presidente, e que provocaram violência na semana passada, fizeram com que um grupo de diplomatas, incluindo o representante das Nações Unidas no país, emitisse um comunicado lamentando mortes e pedindo diálogos para encerrar a crise.

O grupo (Core Group) é composto pela chefe da Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), Helen Meagher La Lime, e por embaixadores de Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha, União Europeia, Estados Unidos, além do representante especial da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Eles destacaram as exigências expressas por manifestantes na quinta-feira (7), que miravam uma crise econômica que levou à queda em padrões de vida, inflação em torno de 15%, crescimento da dívida interna, além de acusações de corrupção feitas contra o presidente Jovenel Moise, antes de ele assumir.

O grupo “lamenta as perdas de vidas e danos a propriedades causados pelos atos inaceitáveis de violência que ocorreram às margens das manifestações, enquanto reconhece o profissionalismo demonstrado pela Polícia Nacional Haitiana”, afirmou o grupo em comunicado emitido na segunda-feira (11).

De acordo com a imprensa local, ao menos quatro pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas durante quatro dias de protestos na capital, Porto Príncipe, e em outras cidades no país. Festividades anuais de Carnaval foram canceladas em alguns locais no fim de semana.

Grupos da oposição convocaram manifestações após um relatórios judiciais alegarem que autoridades e ex-ministros do governo teriam desviado milhões de dólares em empréstimos feitos pela Venezuela ao Haiti após 2008.

“Membros do Core Group pedem para líderes políticos e da sociedade civil se engajaram em diálogos construtivos e inclusivos para identificar e implementar soluções realistas e duradouras à crise política e econômica atualmente em andamento no Haiti”, disse o comunicado emitido pelos diplomatas.

O governo precisa “acelerar suas reformas estruturais com objetivo de promover uma melhor gestão de recursos do Estado”, completou. “Melhorar condições de vida dos mais vulneráveis, combater desigualdades e nutrir um clima conducente de investimentos para estimular o desenvolvimento de setores produtivos – essencial para catalisar o crescimento do país”.

“Mudanças devem vir através das urnas, e não da violência”, afirmou o grupo, que concluiu pedindo para o governo e legisladores “colaborarem para a lei eleitoral e para a lei orçamentária 2018-2019 ser adotada e promulgada o mais rápido possível. Somente a partir destas ações que as eleições, marcadas pela Constituição para outubro de 2019, podem ser realizadas de maneira livre, justa e transparente, e que um vácuo institucional pode ser evitado”.