Proteger consumidores de fraudes é essencial para ampliar serviços financeiros digitais, alerta UIT

União Internacional de Telecomunicações (UIT) chama atenção para crimes e brechas em sistemas financeiros digitais que podem fazer consumidores perderem a confiança em serviços eletrônicos. Falhas de empresas e bancos são destaque em relatório que propõe soluções para combater infrações.

Foto: PIXABAY

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Proteger consumidores e fortalecer a atuação de agências reguladoras são estratégias fundamentais para aumentar a confiança de usuários em serviços financeiros digitais — afetados frequentemente por fraudes, vazamento de informações e dados privados e falta de transparência por parte de empresas.

A conclusão é de dois relatórios publicados nesta semana (12) por um grupo de especialistas da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Os documentos fazem parte de uma iniciativa do organismo da ONU para ampliar e padronizar a oferta de serviços financeiros por meio eletrônico.

Devido aos altos custos envolvidos na operação de bancos físicos em comunidades rurais e pobres e à expansão da telefonia móvel, a utilização de serviços digitais se tornou uma alternativa viável para garantir o acesso de pessoas excluídas às finanças formais.

Segundo a UIT, o investimento na expansão desses serviços — que envolvem o desenvolvimento de aplicativos e softwares para smartphones — é capaz de reduzir a pobreza e as desigualdades.

As pesquisas publicadas pela agência da ONU alertam para a necessidade de bancos e companhias de tecnologias serem mais claras quanto a taxas cobradas por transações e operações financeiras, bem como por outros serviços.

Entre práticas elogiadas e recomendadas pelos especialistas, está a proibição de propagandas enganosas que direcionam os usuários a ofertas pouco claras de produtos financeiros.

Os consultores da UIT também recomendam que bancos garantam a seus clientes um período de dúvida a respeito de serviços recém-contratados — que poderiam ser dispensados um tempo depois sem acarretar prejuízos para os consumidores.

Os relatórios destacam ainda que fraudes podem envolver tanto clientes “falsos” que se passam por consumidores para roubar informações, quanto pot funcionários de bancos e de serviços digitais que se aproveitam do acesso a dados pessoais para desviar recursos financeiros.

Uma das soluções propostas pelos especialistas é a criação de mecanismos de checagem constante em aplicativos e programas. A UIT também sugere que transações sejam sempre realizadas em tempo real com o objetivo de evitar que agentes de serviços financeiros roubem recursos através de falhas dos sistemas.

Quando a conexão ou um servidor “caem”, transferências de dinheiro são comumente suspensas e retomadas por funcionários posteriormente, abrindo brechas para crimes.

“Confiança é um ingrediente essencial para que os serviços financeiros digitais tenham sucesso. Abandonar o dinheiro (físico) só vai funcionar se as soluções e processos que forem implementados para substitui-lo forem confiáveis e fáceis de usar”, afirmou o chefe do grupo de especialistas da UIT, Sacha Polverini.

Outro ponto preocupante para a agência da ONU, o vazamento de informações pessoais pode ser combatido caso empresas prestadores de serviços reduzam a quantidade de dados solicitados aos consumidores e limitem a retenção desses arquivos — que devem ser destruídos após uso.

A UIT também enfatizou a necessidade de fortalecer mecanismos regulatórios que fiscalizem adequadamente a utilização de dispositivos eletrônicos e em rede nos sistemas financeiros.

“A fiscalização deve favorecer o desenvolvimento de o setor financeiro digital forte e saudável. Dada a complexidade do ambiente regulatório, ele pode frequentemente ser um desafio para que os organismos reguladores de serviços de telecomunicação e de finanças em muitos mercados emergentes colaborem com o desenvolvimento de diretrizes nacionais”, explicou o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao.