Protecionismo não é solução para problemas da globalização, defende ONU

Em conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), a chefe da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, defendeu uma renovação do multilateralismo comercial e criticou medidas protecionistas. Para dirigente, na ausência de normas comuns, ‘a vontade do mais forte prevalece’, prejudicando atores econômicos menores e mais frágeis.

Para a ONU, sistema multilateral de comércio precisa ser renovado. Foto: Imprensa/GEPR

Para a ONU, sistema multilateral de comércio precisa ser renovado. Foto: Imprensa/GEPR

“Reverter a globalização e abraçar o protecionismo não é a solução” para os desafios de desenvolvimento atuais, defendeu neste mês (11) a secretária-executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena. Dirigente representou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na 11ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires.

Para a chefe da CEPAL, o multilateralismo comercial precisa ser renovado com a adoção de novos marcos regulatórios. “Na ausência de normas, a vontade do mais forte é a que prevalece, em detrimento dos atores menores e mais frágeis. A questão não é ‘globalização ou não globalização’, mas sim, de que tipo de globalização o mundo precisa hoje”, disse Bárcena.

Na avaliação da especialista, as negociações conduzidas no âmbito da OMC são muito revelantes para o cumprimento da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, especialmente as que lidam com subsídios pesqueiros, agricultura e bens ambientais.

“Precisamos que a OMC não limite as opções de política dos países em desenvolvimento para avançar rumo ao desenvolvimento sustentável”, acrescentou. “O comércio é um motor do desenvolvimento sustentável, mas o atual sistema comercial é insuficiente. Precisamos de um novo sistema.”

Também presente no evento, o secretário-executivo adjunto da CEPAL, Mario Cimoli, chamou atenção para os desafios enfrentados pelas micro, pequenas e médias empresas. Segundo ele, políticas para empresas desse porte estão “estagnadas e pouco atualizadas”. “O modelo de comércio mudou. A transferência de dados cresce mais do que a transferência de bens físicos. São necessárias novas políticas de fomento”, argumentou o pesquisador, ressaltando que o tema da digitalização ainda permanece pouco explorado por iniciativas para o segmento.