Projeto do UNICEF realiza 811 testes de HIV em adolescentes e jovens de SP

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O Viva Melhor Sabendo Jovem é uma estratégia em saúde cujo objetivo é ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, a retenção ao tratamento dos jovens positivos e o acesso às informações sobre prevenção.  A iniciativa é implementada pelo Programa Municipal de DST e AIDS da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, com apoio do UNICEF e parceria técnica da ONG Viração.

Projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. do UNICEF, busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, ao tratamento contra a AIDS e fornecer informações sobre prevenção. Foto: UNICEF

Projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. do UNICEF, busca ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, ao tratamento contra a AIDS e fornecer informações sobre prevenção. Foto: UNICEF

A fria noite do inverno paulistano não impedia que os jovens se reunissem na praça para o “esquenta” antes das baladas. O Largo do Arouche é um dos principais pontos de encontro de adolescentes e jovens gays em São Paulo e foi, nos últimos oito meses, local do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem (VMSJ).

A iniciativa, fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, a ONG Viração e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), encerrou as atividades em 25 de junho, com 811 testes de HIV realizados. Trinta e duas pessoas foram diagnosticadas com HIV positivo e 97% delas aceitaram ser encaminhadas para os serviços de saúde e acompanhadas no tratamento. E agora a ação vai virar política pública.

A prefeitura disponibilizará a unidade móvel para o teste de HIV nos mesmos moldes do projeto. As ações devem começar no segundo semestre e contar com a ampla participação dos jovens realizando os testes de fluido oral e acompanhando os casos positivos para o vírus no atendimento clínico.

O projeto apostou na testagem na rua e entre pares como diferencial. Na porta da unidade móvel disponibilizada pela prefeitura, jovens de 18 a 23 anos eram responsáveis por receber os interessados, realizar os testes de HIV e tirar dúvidas quanto à prevenção e ao tratamento.

Um dos agentes de prevenção era Mateus Araújo, de 18 anos. Morador da zona leste da capital paulista, todas as sextas e sábados à noite, o rapaz se unia a um de seus melhores amigos e seguia para o centro para participar da ação. No processo, Mateus descobriu que um amigo vive com HIV e desconstruiu muitos conceitos sobre o assunto.

“Participar do projeto me fez ver o HIV de outro modo. Na escola, a gente aprende sobre a doença, mas não aprende a se colocar no lugar da pessoa, a conviver com ela, a saber como é viver com o HIV. O projeto me ensinou muito ao permitir esse atendimento mais humano por fazer as informações chegarem naturalmente”, conta.

Depois da triagem, Mateus encaminhava os interessados para uma salinha dentro da unidade móvel onde coletava amostras da saliva. Seria a vez de Felipe de Carvalho, de 24 anos. “O pessoal deixa a gente bem à vontade. Foi tranquilo, principalmente pra mim, que nunca tinha feito. E a primeira vez deixa a gente com um medinho”, conta.

Felipe havia combinado de se encontrar no Largo do Arouche para fazer o teste com Marcos Dionizio, de 22 anos, assim que saíssem do trabalho. O resultado negativo do exame seria o sinal verde para que pudessem começar o namoro. “Toda vez que eu inicio um relacionamento eu sempre faço. É mais seguro. Mesmo que use preservativo”, conta Marcos, que já havia feito o exame de sangue nos postos de infectologia.

Passados 20 minutos, os rapazes receberam o resultado e destacaram a facilidade de se realizar o teste. “Acho que a praticidade ajuda bastante. A simpatia também. Não deixar você inibido é muito importante. Com jovens, você se sente mais confiante para fazer o teste”, diz Marcos.

Augusto Mathias, consultor técnico do Programa Municipal de DST/AIDS, comemorou os resultados da iniciativa. Para ele, a ação de testagem em ambiente comunitário faz toda a diferença, já que grande parte da população mais vulnerável tem dificuldade de acessar o sistema público de saúde.

“Isso representa uma mudança de linguagem (…), conseguirmos acessar uma população que está em extrema vulnerabilidade por meio de seus pares. Não adianta um adulto tentar acessar esses jovens, porque ele não vai falar a mesma linguagem”, diz Mathias.

Situação da epidemia

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de 2015 do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, o número de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos com HIV aumentou em 41% no Brasil.

Em São Paulo, de acordo com dados da Secretaria Municipal Saúde, nesse período, o município conseguiu reduzir a porcentagem de casos de HIV sem AIDS em homens que fazem sexo com homens em populações entre 30 a 60 anos ou mais. Entretanto, essa porcentagem aumentou nas faixas etárias de 13 a 29 anos.

O Viva Melhor Sabendo Jovem é uma estratégia em saúde cujo objetivo é ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos ao teste do HIV, a retenção ao tratamento dos jovens positivos e o acesso às informações sobre prevenção.  A iniciativa é implementada pelo Programa Municipal de DST e AIDS da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, com apoio do UNICEF e parceria técnica da ONG Viração.


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