Projeto do PNUD lança relatório sobre cumprimento das metas da ONU no oeste do Paraná

Lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Itaipu Binacional, o levantamento aponta conquistas em áreas como redução da pobreza e da violência, mas mostra lacunas em questões como igualdade de gênero, especialmente na representação política.

Pesquisa avalia avanços e desafios do oeste do Paraná no cumprimento dos objetivos globais da ONU. Foto: Maira Galvão

Pesquisa avalia avanços e desafios do oeste do Paraná no cumprimento dos objetivos globais da ONU. Foto: Maira Galvão

A Itaipu Binacional e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram neste mês um relatório sobre o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS, no oeste do Paraná. Levantamento aponta conquistas em áreas como redução da pobreza e da violência, mas mostra lacunas em questões como igualdade de gênero, especialmente na representação política.

Dos 54 municípios analisados, apenas dois possuem prefeitas mulheres e apenas quatro têm vice-prefeitas. Nas câmaras de vereadores de toda a região, as mulheres ocupam somente 13,3% dos cargos legislativos. Os números indicam a necessidade de avançar para garantir que o ODS nº 5, sobre igualdade de gênero e empoderamento feminino, seja alcançado em nível local.

Sobre o ODS nº 1, erradicação da pobreza, a pesquisa revela diminuições sistemáticas nos índices de miséria. A taxa de pobreza, que abrange famílias com renda domiciliar per capita igual ou inferior a 140 reais mensais, passou de 19,9% em 2000 para 6,7% em 2010. O valor mais recente está próximo da média estadual (6,5%) e bem abaixo do índice nacional (15,2%).

O índice de pobreza extrema — renda domiciliar per capita igual ou inferior a 70 reais mensais — caiu de 6,4% para 2,1% no mesmo período no oeste do Paraná. Em 2010, a taxa de pobreza extrema no Brasil chegava a 6,6%.

Também foi identificada uma queda no número de homicídios na porção ocidental do território paranaense, o que contribui com as metas do ODS 16, sobre paz, justiça e instituições eficazes. Na região, 534 assassinatos foram registrados em 2010, número que caiu para 371 em 2015.

O documento reúne uma série de indicadores sobre o contexto local e tem a função de servir como ferramenta auxiliar na produção de políticas públicas e ações para os objetivos da ONU. Para incentivar a municipalização dos ODS, cada uma das 54 cidades do oeste do Paraná terá, em breve, um relatório individual, produzido de acordo com a sua realidade.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Samantha Dotto Salve, explica que foram utilizados 67 indicadores de saúde, educação e vários outros temas para a elaboração do relatório. Alguns dados podem ser comparados com o estado do Paraná e com o Brasil. “É a maior estrutura de base de dados em nível municipal para medir os ODS no país”, afirma.

A publicação faz parte do projeto “Oeste 2030: cooperação para o desenvolvimento sustentável”, implementado pelo PNUD em parceria com a Itaipu Binacional e os governos municipais.

De acordo com o editor dos relatórios, o gerente de projetos da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Gabriel Vettorazzo, o diagnóstico é um dos mecanismos criados para apoiar a região no cumprimento da Agenda 2030, além de complementar os diálogos que o programa da ONU mantém com todos os setores de cada uma das cidades.

“Os ciclos de diálogos e ferramentas, como os diagnósticos elaborados, geraram nos municípios o estímulo necessário para alinhar suas prioridades e ações ao alcance das metas da Agenda”, diz o especialista.

A iniciativa também levou ao lançamento da plataforma Oeste 2030, que disponibiliza para a população e para os gestores dados públicos e oficiais em um único local, de forma organizada e fácil, nos moldes do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil. O banco de informações será ampliado pelo Parque Tecnológico Itaipu (PTI), que apoia o projeto.

“Esse piloto de 54 municípios é muito importante para o oeste, para o Paraná e para o Brasil. Com isso, nós vamos poder aprofundar cada vez mais até entender quais são as ações e quais são os projetos que nós podemos potencializar para obter resultados melhores ainda”, completa o diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, Newton Kaminski.

Em 2019, o projeto Oeste 2030 entra em seu último eixo, a formação dos agentes locais.


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