Projeto do PNUD completa 25 anos promovendo produção sustentável no cerrado e caatinga

Presente em mais de cem municípios de 15 estados brasileiros, o Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS) colocou 950 mil hectares da caatinga e do cerrado sob manejo sustentável. Iniciativa promove técnicas agrícolas e extrativistas ambientalmente responsáveis. Dezesseis mil famílias já foram beneficiadas. Estratégia tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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Há 25 anos, uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) transforma comunidades da caatinga e cerrado brasileiros. O Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS) já colocou 950 mil hectares desses dois biomas sob manejo sustentável, levando novas técnicas produtivas e ambientalmente responsáveis para agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outras populações.

Dos 556 projetos já implementados, 412 receberam aportes do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O restante foi executado com recursos de contrapartida e apoio de ONGS e instituições de base comunitária. Mais de 16 mil famílias de povos e comunidades tradicionais participaram do PPP-ECOS, que capacitou 10,5 mil pessoas em práticas agrícolas sustentáveis. O programa também promove a recuperação do solo e de nascentes em 4.730 hectares.

O PPP-ECOS é o braço brasileiro do Small Grants Programme, patrocinado pelo GEF e implementado no PNUD. No Brasil, a iniciativa é executada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), responsável pela coordenação técnico-administrativa da estratégia.

No cerrado e na caatinga, o programa promove práticas de produção que respeitam a biodiversidade, além de auxiliar agricultores familiares e povos tradicionais na coleta de produtos nativos, seu beneficiamento e comercialização. Com isso, aumenta a renda proveniente dos recursos agroflorestais, fortalecendo capacidades e aprendizados comunitários. O projeto também estimula discussões sobre legislação e políticas públicas para a conservação ambiental.

De acordo com o PNUD, a iniciativa já permitiu a 8,5 mil famílias gerar renda com os produtos da biodiversidade. Técnicas sustentáveis teriam evitado, segundo a agência da ONU, a liberação de 15,5 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

“O programa é de extrema relevância para o Brasil. Possui representatividade em mais de cem municípios e 15 estados brasileiros. Os resultados demonstram a importância de sua continuidade para o empoderamento de mulheres, jovens e comunidade local”, afirma a oficial de programa do organismo das Nações Unidas, Luana Lopes.

O PPP-ECOS também trabalha com a valorização da cultura e dos saberes tradicionais. Outras frentes de atuação incluem a promoção do protagonismo feminino e o estímulo à formação de cooperativas e redes.

“Eu, até então, não me reconhecia nem como quilombola nem como remanescente de quilombo. Eu não conhecia a história da minha família, eu era mais afastada. Hoje, eu sei a história do meu povo”, conta Rosanea Santos, quilombola e beneficiária de um dos projetos.