Projeto do ONU-Habitat com governo de Alagoas monitora situação da pandemia nas grotas de Maceió

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o governo de Alagoas lançaram na semana passada (24) um projeto de monitoramento e resposta rápida à COVID-19 nos assentamentos informais de Maceió, conhecidos como grotas.

Após três rodadas de entrevistas com mais de 2 mil pessoas, o projeto servirá de base para diagnóstico e monitoramento das condições sanitárias e socioeconômicas dos moradores das grotas.

Tais informações poderão auxiliar o poder público na formulação de soluções emergenciais, políticas e projetos de sustentabilidade para melhorar as condições de vida da população nessas localidades.

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O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o governo de Alagoas lançaram na semana passada (24) um projeto de monitoramento e resposta rápida à COVID-19 nos assentamentos informais de Maceió.

O projeto é o único brasileiro selecionado entre 56 propostas pelo fundo emergencial do ONU-Habitat para atividades de apoio e resposta à COVID-19.

Há três anos, o ONU-Habitat vem produzindo dados, informações e evidências sobre as grotas de Maceió – fundos de vales ambientalmente vulneráveis e historicamente ocupados pela população de baixa renda – por meio da parceria com o governo do estado.

No contexto da pandemia de COVID-19, o ONU-Habitat Brasil submeteu uma proposta de projeto emergencial com foco no monitoramento da doença em Alagoas, obtendo o financiamento de 100 mil dólares por um total de três meses.

Os moradores e moradoras das 100 grotas – onde habitam mais de 100 mil pessoas – estão entre os mais vulnerabilizados de Maceió e, com a COVID-19, a situação se agravou.

O projeto tem dois componentes. O primeiro é a produção de dados, cujo objetivo é levantar informações junto a moradores, moradoras e lideranças comunitárias nas grotas de Maceió por meio de pesquisa telefônica.

O segundo é a participação e engajamento comunitário, com o intuito de envolver jovens moradores na criação de conteúdos de comunicação para conscientização e difusão de informações sobre a COVID-19.

Após três rodadas de entrevistas com mais de 2 mil pessoas, o projeto servirá de base para diagnóstico e monitoramento das condições sanitárias e socioeconômicas dos moradores das grotas.

Tais informações poderão auxiliar o poder público na formulação de soluções emergenciais, políticas e projetos de sustentabilidade para melhorar as condições de vida da população nessas localidades.

“O projeto tem essa grande virtude de poder embasar as políticas públicas e também orientar as comunidades situadas nas grotas”, explica Rayne Ferretti Moraes, oficial nacional do ONU-Habitat Brasil.

“Acreditamos que o projeto tem um grande potencial para qualificar as decisões do governo de Alagoas”, complementa.

No contexto de uma pandemia que tem afetado principalmente os centros urbanos, que somam 90% dos casos notificados, o ONU-Habitat buscou estruturar respostas à calamidade sanitária que se abateu sobre as cidades, principalmente sobre os espaços de maior vulnerabilidade, como grotas, favelas e outros assentamentos informais.

Para o governador de Alagoas, Renan Filho, essa ação é extremamente importante para fortalecer ainda mais as políticas públicas voltadas para a população em situação de maior vulnerabilidade.

“Vamos identificar, com um olhar ainda mais apurado, as necessidades da população das grotas nesse momento de pandemia e de que forma atuaremos na posterior recuperação econômica e aumento da qualidade de vida dessas famílias”, afirma.

“Queremos entender melhor essa dinâmica para organizar uma resposta mais articulada com essa realidade e como adaptar e acompanhar essa população de maneira que o impacto da COVID-19 seja menos agressivo nesses assentamentos informais”, aponta Alain Grimard, oficial sênior internacional do ONU-Habitat Brasil.

Por meio do componente de participação e engajamento comunitário do projeto, um grupo de jovens moradores das grotas terá a oportunidade de fazer um intercâmbio virtual com líderes e jovens de favelas do Rio de Janeiro (RJ) e de países da África Lusófona, como Guiné Bissau, Moçambique e Angola.

“Outro objetivo é também trabalhar com jovens dessas comunidades para que produzam conhecimento com a linguagem que utilizam – deles e para eles mesmos – para que a gente possa ampliar os conhecimentos das medidas preventivas, de como a grota está se comportando frente à COVID-19 e o que as pessoas podem fazer diante da pandemia”, relata Rayne Ferretti.