Projeto da ONU promove diálogo entre mulheres refugiadas e gestores de empresas brasileiras

Para discutir oportunidades de emprego no Brasil, representantes de empresas nacionais e mulheres em situação de refúgio reuniram-se neste mês (13), em São Paulo, num encontro promovido pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU. As refugiadas participaram de uma dinâmica de contratação e networking, promovida em parceria com a companhia WeWork.

Encontro entre refugiadas e gestores de RH abordou possibilidades de inserção no mercado de trabalho brasileiro. Foto: Pacto Global/Fellipe Abreu
Encontro entre refugiadas e gestores de RH abordou possibilidades de inserção no mercado de trabalho brasileiro. Foto: Pacto Global/Fellipe Abreu

Para discutir oportunidades de emprego no Brasil, representantes de empresas nacionais e mulheres em situação de refúgio reuniram-se neste mês (13), em São Paulo, num encontro promovido pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU. As refugiadas participaram de uma dinâmica de contratação e networking, promovida em parceria com a companhia WeWork.

As estrangeiras já participam do Empoderando Refugiadas, um projeto de capacitações para a inserção no mercado de trabalho brasileiro. O programa é implementado pelo Pacto Global com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e a ONU Mulheres.

Durante o evento na capital paulista, representantes do setor privado puderam conhecer as qualificações e as histórias das refugiadas. “Foi muito bom conhecer estas mulheres, os perfis nos surpreenderam muito. O que sempre dificulta na contratação de estrangeiros é a questão do idioma. Porém, vimos hoje que o português delas é muito bom, o que é um diferencial”, disse Beatriz Campos, representante da Startup Quinto Andar.

Na avaliação da gestora, a iniciativa do Pacto Global contribui com a diversidade nos negócios, o que também é um diferencial competitivo. “O principal recurso que constrói uma boa empresa são as pessoas. Cada uma traz muita experiência, uma bagagem, e tem muito a acrescentar não só como profissional, mas como pessoa.”

Profissionais das empresas convidadas ressaltaram ainda que os novos modelos de negócio, como as startups, buscam uma variedade maior de pessoas em seus quadros de colaboradores. Nesse contexto, profissionais de outros países, com outra cultura, agregam valor aos negócios.

“As startups estão trazendo para o Brasil o conceito de ser selecionado pelo que você é, não pelo que você sabe. A gente está olhando muito para a diversidade. Além disso, estamos ganhando com conhecimento, em saber a história das pessoas e o que elas podem acrescentar para nós”, afirmou Marília Silva, representante de Recursos Humanos da Cabify.

Ao longo da dinâmica, as refugiadas puderam conhecer um pouco do dia a dia das companhias brasileiras e trocar experiências com profissionais de diversos setores.

“O encontro foi muito positivo, aprendi sobre como funcionam as empresas no Brasil que, pela cultura, são um pouco diferentes das de meu país”, afirmou Paulina*, angolana que participa da atual edição do Empoderando Refugiadas.

Parceria com a WeWork

A parceria do Empoderando Refugiadas com a WeWork – empresa multinacional de espaços de trabalho – é fruto da união de duas iniciativas com objetivos bem próximos. A WeWork lançou em 2018 no Brasil a sua ação global de incentivo à contração de refugiados. A WeWork Refugee Initiative, desenvolvida pela empresa desde 2017 nos Estados Unidos e Reino Unido, também conta com o apoio do ACNUR e busca engajar empresas da rede e parceiros em torno da causa.

O Empoderando, que encerra em dezembro o ciclo de workshops e dinâmicas da sua terceira edição, é focado na inserção de mulheres. Em 2018, o projeto atendeu a cerca de 50 refugiadas, por meio de treinamentos e dinâmicas com representantes de empresas brasileiras.

O programa conta com a parceria do Facebook e com os apoios de ABN AMRO, Carrefour, Lojas Renner, Pfizer e Sodexo. São parceiros estratégicos o Consulado da Mulher, a Fox Time, o Grupo Mulheres do Brasil, a Migraflix e o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

*Por razões de privacidade, os nomes completos das participantes não são divulgados