Projeto da ONU na Jordânia capacita refugiados sírios para o setor agrícola

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Na Jordânia, os mais de 600 mil refugiados sírios mudaram o mercado e a produção agrícola. Um projeto da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) promove a capacitação e a inserção dessa população no setor formal da economia agrícola, além de fortalecer os vínculos entre os estrangeiros e os jordanianos que os recebem em suas comunidades.

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A Jordânia é um dos principais destinos para os mais de 4,9 milhões de sírios fugindo da guerra civil em seu país. A nação vizinha já acolhe mais de 600 mil refugiados do conflito, um contingente que equivale a mais de 10% da população síria antes da crise.

Ao longo dos últimos cinco anos, a competição por oportunidades de emprego no campo tornou-se feroz. Sem autorização para trabalho, os refugiados sírios ingressam no mercado de trabalho informal, ganhando bem menos que o salário mínimo da Jordânia.

“Esse influxo massivo impactou duramente as economias locais, bem como os meios de subsistência das pessoas, especialmente em lugares onde os recursos são escassos”, explica a gerente de projetos da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Noriko Takahashi.

As comunidades anfitriãs estão enfrentando preços inflacionados por mercadorias, bens e serviços básicos.

“É necessário trabalhar não apenas com as famílias que chegam (da Síria), mas também com as comunidades que as recebem”, acrescenta a especialista da agência da ONU.

Um projeto da UNIDO, financiado pelo governo do Japão e implementado em dez comunidades diferentes, combate a fome explorando o potencial agrícola da região conhecida como a cesta-básica da Jordânia.

Cooperativa e ONU unem sírios e jordanianos

Samya Abass, de 41 anos, testemunhou a crise de deslocamento forçado em primeira mão. Ela nasceu e cresceu em Azraq, uma pequena cidade no centro-leste da Jordânia. O município é agora o lar de quase 20 mil sírios.

Abass chefia a Cooperativa de Mulheres de Azraq, uma pequena organização que trabalha com a UNIDO para melhorar a nutrição e criar empregos para a população local.

Com foco no cultivo de ervas medicinais e alimentos, a instituição recebeu treinamento sobre métodos de colheita, processamento agrícola e auxílio a agricultores para a inserção de seus produtos no mercado.

“Agora, cultivamos sálvia, ervilha, feijões, cebolas e alho. Todos com propriedades medicinais”, afirma Abass.

“Também produzimos essência de romã, ela ajuda com a fraqueza no sangue e pode ser misturada com água, como uma forma de proteção contra gripes.”

Segundo a empreendedora, o objetivo do negócio é “tirar benefícios da terra”, criando produtos naturais, sem aditivos químicos, com a mais alta qualidade.

Na avaliação da jordaniana, o projeto da UNIDO é pioneiro por criar oportunidades de emprego para a população local e síria. Abass já havia liderado e administrado outras iniciativas agrícolas, mas pela primeira vez, viu estrangeiros e compatriotas sendo integrados num mesmo programa de capacitação

“No início, sem treinamento prévio, antes de trabalhar com a UNIDO, eu sempre botava para dentro dois ou três sírios. Agora que eles são incluídos desde o começo, eu fico muito feliz.”

Para Abass, o programa fortaleceu os vínculos dentro da comunidade. “No primeiro dia, os sírios chegaram ao programa de treinamento e, no dia seguinte, já éramos como uma família. Sempre que temos pausas, comemos juntos e bebemos café e chá. Todos trazem algo de sua própria casa e todos sentam juntos e comem.”

Empoderamento feminino

Desde 2016, mais de 500 pessoas foram treinadas pelo projeto da UNIDO – 60% eram mulheres. Entre elas, está a síria Salwa Sueliman, de 45 anos, que chegou à Jordânia em 2013. A refugiada e o marido Mohammad têm nove filhos e moram numa barraca em Badia, no leste da Jordânia.

“O projeto ajudou as mulheres a deixar seu isolamento e a participar com os homens, por meio de diferentes palestras e reuniões”, conta Sueliman. “Isso ajudou a quebrar o gelo entre os alunos homens e as alunas. Agora, elas trabalham lado a lado com os homens.”

Sueliman e Abass viveram a crise síria de pontos de vista distintos, mas hoje, as duas compartilham o mesmo sentimento.

“Isso (o programa) faz você esquecer os problemas da vida e o tormento que você enfrentou”, diz a síria.

Para a jordaniana, o projeto “oferece algo mais do que apoio financeiro”. “Ele dá apoio emocional. Eu sinto que não fomos esquecidos”, completa Abass.


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