Projeto da ONU financiado pelo Brasil leva alimentos de pequenos agricultores a escolas no Haiti

Projeto do PMA financiado pelo Brasil no Haiti leva alimentos produzidos localmente às escolas. Foto: AnneSophie Gerald.

No Haiti, a produção agrícola nacional responde por cerca de 50% das necessidades alimentares do país, com a diferença sendo coberta por importações. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) pretende estabelecer mecanismos sustentáveis para a integração da produção local, disponibilizando sazonalmente alimentos nos cardápios das escolas.

Um novo projeto-piloto do PMA, financiado pelo governo brasileiro, foi lançado em uma cidade do departamento de Nippes  em outubro de 2015. O município de Petite Rivière foi escolhido por seu potencial agrícola e pela variedade de alimentos produzidos localmente, que permitem ao projeto comprar diretamente de pequenos produtores.

O principal objetivo da iniciativa – dar maior autonomia alimentar ao Haiti – pode ser alcançado de forma simples, investindo em produção local por meio do consumo doméstico.

1. Todas as manhãs de segunda-feira, agricultores levam seus produtos para um armazém central, onde são reunidos em porções semanais para cada uma das 24 escolas que participam do projeto.

2. Cada produto é pesado de acordo com a porção de 30 gramas por criança por dia de cada vegetal e 150 gramas de tubérculos, dependendo do cardápio sazonal.

3. Os kits são rotulados por produto e por escola, e colocados em um caminhão para entrega no mesmo dia, de forma a mantê-los frescos.

4. Uma picape entrega os kits em áreas de difícil acesso, enquanto um veículo maior vai às regiões mais acessíveis.

5. Os produtos frescos são armazenados na escola até que os cozinheiros possam iniciar a preparação dos pratos. As escolas também recebem porções mensais de cereais secos e leguminosas, produzidos localmente e disponíveis sazonalmente.

6. Uma vez na escola, pais voluntários começam o processo trabalhoso de lavar, descascar, cortar e cozinhar os vegetais para um touffé de legumes, refogado tradicional haitiano.

7. Enquanto os vegetais estão no forno, os pais preparam um segundo prato tradicional haitiano, feito com milho, e feijão preto para acompanhar o touffé de legumes, incorporando grãos locais ao menu.

Município de Petite Riviere foi escolhido por seu potencial agrícola e pela variedade de alimentos produzidos localmente. AnneSophie Gerald

8. Temperos como molho de tomate, alho, sal e peixe seco – doados por pais de alunos por meio de comitês de administração responsáveis por cuidar das cantinas – são adicionados ao prato para dar sabor.

9. Respeitando o cardápio proposto, que pretende fornecer de 30% a 40% das calorias diárias recomendadas para crianças em idade escolar, os pratos são preparados e servidos aos estudantes.

10. As crianças podem, então, aproveitar o touffé de legumes, o milho e o feijão, recebendo uma refeição quente e nutritiva, feita com produtos cultivados localmente.

O projeto-piloto é financiado pelo governo brasileiro em coordenação com o Ministério da Educação e o Ministério da Agricultura do Haiti, e permite ao PMA levar produtos locais à mesa das crianças nas escolas.

Os parceiros locais do PMA são a Rede de Produtores Agrícolas de Nippes e o Escritório de Nutrição e Desenvolvimento.