Projeto brasileiro usa palha da cana-de-açúcar para gerar energia renovável

Um projeto desenvolvido no Brasil com a palha da cana-de-açúcar para gerar energia renovável é candidato a um prêmio de inovação promovido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

O Projeto SUCRE, gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, visa reduzir as emissões dos gases de efeito estufa por meio da geração de energia renovável, com aumento do uso de palha de cana, antes considerada “resíduo”, para complementar o bagaço já utilizado nas usinas.

Plantação de cana-de-açúcar. Foto: JamesDeMers

Plantação de cana-de-açúcar. Foto: JamesDeMers

Um projeto desenvolvido no Brasil com a palha da cana-de-açúcar para gerar energia renovável é candidato a um prêmio de inovação promovido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

O Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) tem como objetivo reduzir as emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE) por meio da geração de energia renovável, com o aumento do uso de palha de cana, antes considerada “resíduo”, para complementar o bagaço já utilizado nas usinas.

O setor, que anteriormente queimava a palha da cana-de-açúcar, usa agora um sistema de manutenção da palha na superfície do solo, com apenas uma parte sendo recolhida para ser utilizada nas usinas como complemento ao bagaço, na geração de eletricidade.

A palha é considerada fonte de energia com baixa emissão de GEE e seu recolhimento sustentável contribui para as políticas setoriais e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para alcançar as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Os resultados mostram que, considerando o bagaço e a palha, o setor sucroenergético tem a possibilidade de suprir cerca de 80% da demanda residencial brasileira de eletricidade, impedindo anualmente a emissão de 50 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera.

O Projeto SUCRE é acompanhado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), e é gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A iniciativa, que já completa cinco anos, é executada pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Para sua viabilização, contou com financiamento do GEF, de 7,8 milhões de dólares, ao longo dos anos de execução.

Repercussão

Parte dos resultados do Projeto SUCRE foram reunidos em uma edição especial sobre palha da revista científica BioEnergy Research. Entre os 38 artigos publicados, 12 são de profissionais do Laboratório Nacional de Biorrenováveis, no âmbito do Projeto SUCRE.

A publicação cobre os resultados obtidos ao longo da execução do projeto, no âmbito agronômico da remoção de palha dos canaviais, abordando questões como a qualidade do solo, ciclagem de nutrientes e manejo de fertilizantes, emissões de GEE, manejo de pragas, rendimento de culturas, soluções de engenharia e soluções industriais.

Esses resultados apoiam tomadas de decisão sobre o melhor uso dessa biomassa, podendo auxiliar estrategicamente a academia, o setor sucroenergético e o desenvolvimento de políticas públicas.

Bioeconomia

O projeto se insere no âmbito de projetos de cooperação internacional que visam promover soluções de bioeconomia e contribuir para a redução de gases de efeito estufa.

O Projeto SUCRE busca replicar os resultados obtidos por meio de acordos de cooperação firmados com instituições de cana-de-açúcar em países como Guatemala, Colômbia e Argentina.

O objetivo é expandir, para além do Brasil, os benefícios ambientais da biomassa como fonte de eletricidade. O país é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, o que lhe permite contribuir para mitigar os efeitos ambientais adversos relacionados à emissão de gases de efeito estufa.

O Fundo Global para o Meio Ambiente, em inglês Global Environmenl Facility (GEF), é um dos maiores financiadores de projetos ambientais no mundo.

A iniciativa de cooperação internacional reúne hoje 183 países e trabalha com instituições internacionais, organizações da sociedade civil e o setor privado. O GEF foi estabelecido em 1991 para apoiar a proteção do meio ambiente global e promover o desenvolvimento sustentável.

*Com informações da ABC e Projeto SUCRE