Projeto apoiado por agência da ONU capacita pessoas resgatadas de trabalho forçado no MT

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apoia projeto no Mato Grosso (MT) que oferece formação profissional para pessoas em situação de risco ou que foram resgatadas de condições análogas à escravidão. O objetivo da iniciativa é ampliar as oportunidades profissionais para esses trabalhadores e possibilitar uma formação cidadã sobre os direitos assegurados por lei.

Promovido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MT), pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso e pela Universidade Federal do Mato Grosso, o projeto Ação Integrada entregou durante evento realizado no início do mês (9) em Cuiabá certificados de conclusão de curso para os participantes. Desde seu surgimento em 2009, a ação já beneficiou cerca de 700 trabalhadores.

Trabalhadores concluem formação profissional em projeto apoiado pela OIT no Mato Grosso. Foto: MPT

Trabalhadores concluem formação profissional em projeto apoiado pela OIT no Mato Grosso. Foto: MPT

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apoia projeto no Mato Grosso (MT) que oferece formação profissional para pessoas em situação de risco ou que foram resgatadas de condições análogas à escravidão. O objetivo da iniciativa é ampliar as oportunidades profissionais para esses trabalhadores e possibilitar uma formação cidadã sobre os direitos assegurados por lei.

Promovido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MT), pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso e pela Universidade Federal do Mato Grosso, o projeto Ação Integrada entregou durante evento realizado no início do mês (9) certificados de conclusão de curso para os participantes. Desde seu surgimento em 2009, a ação já beneficiou cerca de 700 trabalhadores.

“Juramos não medir esforços para vencer com dignidade e ética na nossa profissão, utilizando o nosso trabalho como ferramenta para estimular o bem na sociedade”, disse o trabalhador Devair de Aguiar durante a entrega de certificados do curso de Operador de Máquinas e Implementos Agrícolas, ocorrida na sede do Ministério Público do Trabalho em Cuiabá.

O projeto adota ações de prevenção e assistência aos trabalhadores para possibilitar o acesso ao mundo do trabalho decente, estimulando a autoestima e o desenvolvimento pessoal dos participantes, de acordo com a OIT.  O curso foi realizado de setembro a dezembro na Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no município de Santo Antônio do Leverger (MT).

Este ano, 21 trabalhadores foram beneficiados pelo Ação Integrada. O orador da turma de 2016, Cosmo da Silva, afirmou que conseguiu melhorar sua condição de vida e que, agora, ao terminar o curso, pretende avançar. “Peço que meus companheiros façam da mesma forma. Estamos aqui, lutamos para isso, conseguimos, então vamos correr e tocar a bola para frente, não para trás”, disse.

“O projeto é uma tentativa de romper um ciclo vicioso do trabalho análogo ao escravo que infelizmente se instalou na nossa sociedade”, explicou o superintendente regional do trabalho substituto, Amarildo Borges de Oliveira, também presente no evento. Ele enfatizou que a escravidão contemporânea ainda é uma realidade no Brasil, mas pontuou que há um grande empenho das instituições em combatê-la.

O diretor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da UFMT, Emílio Carlos de Azevedo, expressou sua satisfação em abrir as portas da universidade para os trabalhadores. “Vocês merecem, pois são cidadãos com deveres, mas que também têm o direito a um espaço neste país para crescer e se desenvolver”.

De acordo com o procurador do trabalho Rafael Mondego Figueiredo, que representou a coordenação do MPT-MT no projeto, o reconhecimento dos direitos é fundamental para combater o trabalho escravo. “Quando se retira o direito à dignidade, você está coisificando a pessoa”, explicou.

Na cerimônia, o procurador relatou algumas realidades que conheceu por meio da atuação do MPT. Segundo ele, o trabalho escravo ocorre frequentemente em locais distantes e de difícil acesso, onde o trabalhador sofre com a vigilância e tem sua locomoção restringida; mas também é caracterizado pelas condições degradantes, quando não há água potável disponível ou comida devidamente acondicionada.

“No Brasil o trabalho escravo não se resume única e exclusivamente à questão do cerceamento da liberdade, ele se refere à desconsideração da pessoa como pessoa”, afirmou. Nos últimos sete anos, o projeto Ação Integrada fez contato com mais de 2 mil pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão.

“A formatura é o momento em que as organizações que apoiam o Ação Integrada celebram o empoderamento dos trabalhadores na luta por uma vida digna, livre da exploração”, declarou a consultora da OIT, Simone Ponce.

Ela elogiou o compromisso dos envolvidos no sucesso do projeto e enalteceu a decisão dos formandos de participar do curso e investir no seu desenvolvimento pessoal e profissional. “A trajetória é longa, mas hoje comemoramos a conclusão de uma bela etapa”.


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