Projeto apoiado pela ONU contribui para facilitar acesso de refugiados ao mercado de trabalho

Para possibilitar que refugiados com ampla experiência profissional e notória formação acadêmica tenham acesso a oportunidades de trabalho condizentes com suas pretensões, o Instituto Yiesia lançou no Brasil o Projeto Caleidoscópio, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

“As pessoas refugiadas trazem olhares diversificados e experiências inovadoras para dentro do mundo corporativo, ampliando as vantagens competitivas das empresas e propiciando benefícios mútuos”, disse Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do ACNUR em São Paulo.

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Estar refugiado significa ter sido forçado a abandonar seu país de origem em busca de proteção internacional, deixando para trás laços sociais e afetivos. Ainda assim, a pessoa em situação de refúgio chega ao novo destino com todo conhecimento, experiência e talento necessários para reconstruir sua vida, sendo o acesso ao trabalho um elemento fundamental para sua integração.

Para possibilitar que refugiados com ampla experiência profissional e notória formação acadêmica tenham acesso a oportunidades de trabalho condizentes com suas pretensões, o Instituto Yiesia lançou no Brasil o Projeto Caleidoscópio, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR).

A iniciativa promove encontros e trocas de experiências entre renomados profissionais brasileiros e pessoas refugiadas com sólidos conhecimentos.

“O objetivo desse projeto é contribuir para a reintegração desses profissionais ao mercado formal de trabalho nas respectivas áreas originais de atuação. Todos têm pós-graduação em seus currículos e experiência corporativa nos seus países de origem, o que contribui para debates produtivos e de caráter inovadores que são muito necessários aos desafios da nova economia”, disse Ana Paula Candeloro, coordenadora da iniciativa.

Foram selecionados 15 refugiados com excelente formação acadêmica e relevante experiência corporativa para participar do curso “Gestão Integrativa de Negócios: uma visão multifocada e inclusiva para a gestão de pessoas e empresas no cenário contemporâneo”. O curso é dividido em seis módulos, com duração total de 88 horas, sendo ministrado por professores universitários e executivos do mundo corporativo.

Como resultado, os profissionais capacitados poderão atuar como consultores e/ou conselheiros de alto desempenho em empresas, reforçando seu potencial profissional, desta vez no Brasil. Este é o desejo de Mirta, que tem interesse em atuar na área jurídica e de governança corporativa das empresas, assim como na academia.

“O Projeto Caleidoscópio me propicia novos conhecimentos para atuar na área da governança corporativa e aperfeiçoa minha experiência como empreendedora social, qualificando-me para desenvolver estratégias e modelos sustentáveis e inovadores de negócio”, disse Mirta, advogada e refugiada colombiana que há 15 anos vive no Brasil.

Formada em Direito e Ciências Políticas com mestrado em Direito Público, Mirta trabalha atualmente na Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo como assessora em processos de regularização de imigrantes e orientação trabalhista.

Em setembro, os refugiados participaram de sessões de gestão de imagem, marca pessoal e protocolos corporativos oferecidas pela AICI Brasil — Associação Internacional dos Consultores de Imagem —, e estão sendo acompanhados por “coachs” de carreira durante toda a duração do programa, que neste ano se estenderá até dezembro, com encontros quinzenais.

“Minha ‘coach’, Ines Yano, tem sido muito solícita para que, juntas, possamos construir novos caminhos de aprendizagem e estratégias para atingir os objetivos que almejo. Sou muito grata a ela, que faz este trabalho de forma voluntária, valorizando meus esforços e criando muitas possibilidades”, disse Mirta.

A cada intervalo entre os módulos os alunos vão a campo estudar um caso de empresa real com base no que foi apresentado e discutido durante as aulas. Ao final do programa, os alunos apresentarão um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sob a forma de Diagnóstico de Inovação (“case study”) que abordará oportunidades de melhorias nos negócios avaliados, com base na experiência de aprendizagem de cada aluno. O resultado será proposto à empresa para que seja implementado em sua estratégia.

“As pessoas refugiadas trazem olhares diversificados e experiências inovadoras para dentro do mundo corporativo, ampliando as vantagens competitivas das empresas e propiciando benefícios mútuos, tanto seu crescimento profissional como para as empresas e seus funcionários, além de remodelar a economia local pelo seu potencial de inovação”, disse Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do ACNUR em São Paulo.

A EMDOC, empresa de consultoria jurídica na área de imigração, é parceira do Projeto Caleidoscópio por meio de seu Programa de Apoio para a Recolocação de Refugiados (PARR). João Marques Fonseca, diretor da EMDOC, enfatizou a característica inovadora da iniciativa e sua transversalidade em trazer benefícios para refugiados e empresas.

“Os refugiados podem abrir para as instituições a sua bagagem e ofertar um leque de conhecimento que será engrandecedor para qualquer negócio. Eles podem disseminar uma nova cultura, trocar experiências, oferecer uma visão diferenciada para os gestores e seus herdeiros, sendo esta uma oportunidade única e enriquecedora para os empresários”, declarou.

Clique aqui para obter mais informações sobre o programa e seus participantes.