Projeto ‘Além do Algodão’ impulsiona geração de renda em países africanos

Equipe do Centro de Excelência contra a Fome — uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas — realizou duas missões em Moçambique e Benim em dezembro para discutir com oficiais de governo e outros atores demandas e potenciais da cadeia de produção do algodão.

O projeto “Além do Algodão” pretende apoiar agricultores familiares de algodão e instituições públicas em Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. A iniciativa vai conectar os subprodutos do algodão, como óleo e torta, e culturas consorciadas como milho, sorgo e feijão, a mercados estáveis, inclusive os programas de alimentação escolar. A iniciativa pretende contribuir para a geração de renda para agricultores familiares e para o aumento da segurança alimentar e nutricional em áreas rurais.

O projeto "Além do Algodão" pretende apoiar agricultores familiares de algodão e instituições públicas em Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. Foto: PMA

O projeto “Além do Algodão” pretende apoiar agricultores familiares de algodão e instituições públicas em Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. Foto: PMA

Equipe do Centro de Excelência contra a Fome — uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas — realizou duas missões em Moçambique e Benim em dezembro para discutir com oficiais de governo e outros atores demandas e potenciais da cadeia de produção do algodão.

O projeto “Além do Algodão” pretende apoiar agricultores familiares de algodão e instituições públicas em Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. A iniciativa vai conectar os subprodutos do algodão, como óleo e torta, e culturas consorciadas como milho, sorgo e feijão, a mercados estáveis, inclusive os programas de alimentação escolar. A iniciativa pretende contribuir para a geração de renda para agricultores familiares e para o aumento da segurança alimentar e nutricional em áreas rurais.

Em muitos países produtores de algodão, o principal desafio é encontrar mercados estáveis para os subprodutos e produtos alimentares consorciados. Normalmente, há um mercado garantido para a fibra do algodão, mas comercializar o óleo e a torta, obtidos a partir da semente do algodão, e as outras culturas que são plantadas em rotação com o algodão, pode ser difícil.

O lucro gerado pela comercialização da fibra do algodão não é suficiente para manter a família, e a demanda por fibra de algodão sustentável não é atendida, devido à falta de interesse dos agricultores familiares de investir nesse sistema de produção. Ao estruturar melhor a cadeia de valor dos subprodutos e produtos associados, a iniciativa “Além do Algodão” vai aumentar a renda e melhorar a segurança alimentar e nutricional das famílias rurais, ampliar a produção agrícola e e direcioná-la a programas de alimentação escolar e incentivar que mais agricultores familiares invistam na produção sustentável de algodão.

Moçambique

De 11 a 14 de dezembro, a equipe esteve em Moçambique e se reuniu com o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, o Instituto do Algodão, o Ministério da Saúde e a Embaixada do Brasil em Moçambique. Também realizou uma oficina com 30 representantes de 14 instituições diretamente envolvidas na agricultura e segurança alimentar e nutricional do país. O objetivo foi integrar as atividades do projeto às políticas nacionais de segurança alimentar e nutricional.

Participantes da oficina validaram o diagnóstico feito e apontaram os principais aspectos do marco lógico do projeto de país que será preparado para orientar a implementação da iniciativa em Moçambique.

Os participantes decidiram implementar projetos-piloto em duas províncias, Manica e Tete. Essas províncias foram selecionadas por serem prioridade para o Instituto do Algodão de Moçambique e para o programa nacional de alimentação escolar.

O Ministério da Saúde está promovendo culturas específicas para atender às necessidades nutricionais de cada região. As atividades do “Além do Algodão” vão complementar essa iniciativa ao fortalecer os canais de comercialização desses produtos.

Benim

A equipe esteve em Benim de 17 a 20 de dezembro. A agenda da missão foi similar à de Moçambique: reuniões com oficiais de governo e com a Embaixada do Brasil, além de uma oficina com atores relevantes para discutir o estudo diagnóstico e os principais aspectos do projeto de país. Eles decidiram implementar projetos-piloto nos próximos três anos, para conectar a comida produzida pelos agricultores familiares de algodão ao programa de alimentação escolar.

Os oficiais de governo destacaram os pontos de intersecção entre a iniciativa e as políticas de agricultura, saúde, proteção social e alimentação escolar do país. Ao aprimorar a estrutura da cadeia do algodão, subprodutos e culturas consorciadas, a iniciativa pode contribuir para a geração de renda para famílias rurais e para que o país alcance a meta de reduzir a dupla carga da má nutrição em 15% até 2025.

O projeto “Além do Algodão” está sendo implementado pelo Centro de Excelência contra a Fome, com coordenação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão.

Em Benim e em Moçambique, a iniciativa será integrada aos projetos de cooperação bilateral do governo brasileiro para a cadeia do algodão (Cotton4+togo no Benim e Shire-Zambeze em Moçambique).


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