Programas da ONU no Iraque receberam apenas 8% do orçamento solicitado, diz secretário-geral

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Em visita a um campo para pessoas internamente deslocadas no Iraque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu um compromisso muito maior da comunidade internacional para ajudar o país e sua população, vítima dos terroristas do ISIL.

Cerca de 400 mil iraquianos estão sob cerco na Cidade Velha de Mossul, localizada na parte oeste do município. Outras 200 mil pessoas vivem na parte ocidental do centro urbano que se tornou a linha de frente dos novos embates entre governo e extremistas do ISIL.

Uma menina de cinco anos chega ao acampamento Khazer 2, depois de sair do leste de Mossul com sua família, em dezembro de 2016. Foto: ACNUR/Ivor Prickett

Uma menina de cinco anos chega ao acampamento Khazer 2, depois de sair do leste de Mossul com sua família, em dezembro de 2016. Foto: ACNUR/Ivor Prickett

O Iraque precisa de uma “solidariedade profunda” da comunidade internacional, que financiou apenas 8% dos programas humanitários da ONU no país. A informação é do próprio secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que visitou na sexta-feira (31) o campo de Hassan Shan para deslocados internos, no norte da nação.

“Essa é uma visita de solidariedade com o povo de Mossul, que sofreu a opressão do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), passando por circunstâncias terríveis, e que agora está sofrendo com as operações militares necessárias para derrotar o terrorismo em Mossul”, afirmou o dirigente máximo da ONU.

Cerca de 11 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no Iraque. Desse contingente, 3 milhões são consideradas internamente deslocadas. Em Mossul, mais de 122 mil iraquianos foram forçados a deixar suas casas apenas no mês passado. Desde que a reconquista da cidade teve início em outubro do ano passado, mais de 350 mil indivíduos tiveram de deixar a cidade.

Também nesta semana (30), a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou que cerca de 400 mil iraquianos estão sob cerco na Cidade Velha de Mossul, localizada na parte oeste do município. Outras 200 mil pessoas vivem na parte ocidental do centro urbano que se tornou a linha de frente dos novos embates entre governo e extremistas do ISIL.

Com o avanço dos confrontos, o organismo prevê uma crise de deslocamento forçado capaz de sobrecarregar a capacidade de resposta das organizações humanitárias no terreno. “O pior ainda está por vir”, disse o representante do ACNUR no Iraque, Bruno Geddo. Atualmente, a agência da ONU tem 13 acampamentos abertos ou em construção, com vagas para o alojamento de 145 mil indivíduos.

Durante sua passagem por Hassan Shan, Guterres afirmou ser fundamental a cooperação dos Estados-membros “a fim de garantir a proteção dos civis e, ao mesmo tempo, solidariedade com as vítimas”.

“Tudo requer um compromisso bem maior da comunidade internacional e esse compromisso não significa apenas ser generoso. Não, é também do autointeresse de todos porque as ameaças terroristas que vemos em Mossul são as mesmas que vemos em todos os lugares do mundo”, acrescentou o secretário-geral.

Mais de 10 mil iraquianos por dia chegam a centro do acolhimento

Em Hammam al-Alil, região localizada 25 quilômetros ao sul de Mossul, um centro de recepção e triagem registrou nas últimas semanas números de chegadas diárias que variaram de 8 mil até 12 mil pessoas. O ACNUR está erguendo um acampamento no local com capacidade para 30 mil indivíduos. A agência também planeja a construção de outro campo, no sudoeste de Mossul, para acolher 60 mil iraquianos.

“Libertar Mossul é necessário, mas não é suficiente. Nós devemos ser assertivos também na proteção de civis e na resposta humanitária”, alertou Geddo.

O ACNUR e seus parceiros têm oferecido assistência às pessoas fora dos acampamentos. A Agência da ONU para Refugiados chegou a distribuir cerca de 33 mil kits de necessidades básicas, incluindo fogões, utensílios e galões de metal para até 320 mil pessoas dentro e fora dos campos.


Mais notícias de:

Comente

comentários